Lula Marques/ Agência PT

Michel Temer durante pronunciamento a imprensa em Brasília
A demissão de Geddel Vieira Lima da Secretaria de Governo da Presidência da República já era, mas não é o bastante para acabar a crise no governo de Michel Temer, avalia a oposição.
Em entrevista à Tribuna, o líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, Daniel Almeida, disse que “os fatos deixaram muito claro que o problema foi muito além do Geddel. Com sua saída, Geddel jogou o problema no colo do presidente”.
“Os fatos que afastaram Geddel são os mesmos que devem afastar o presidente, que se envolveu em questões pessoais de um de seus ministros. Isso é crime de responsabilidade, o mesmo que Geddel cometeu. Esse governo não se sustenta mais de jeito nenhum. Temer tem que renunciar”, afirmou o deputado baiano.
Daniel Almeida disse ainda que “a prática de Geddel já era esperada”. “Sempre se soube que Geddel não separa o público do privado. Já era de esperar essa prática de Geddel, de usar um cargo público para interesses pessoais”, disparou o líder comunista.
Ainda ontem, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) prometeu protocolar um pedido de impeachment de Michel Temer na próxima segunda-feira (28), por considerar que o episódio envolve o chefe do governo em crime de responsabilidade.
Para Lindberg, o presidente pressionou o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero para que ele liberasse a construção de um edifício de alto padrão em Salvador no qual o ministro Geddel adquiriu um imóvel, o qual é o centro da crise.
“Vamos entrar com pedido de impeachment porque houve crime de responsabilidade, tráfico de influência, ele desmoralizou a instituição da Presidência da República”, disse o senador, acrescentando que está conversando com movimentos sociais e representantes da sociedade civil sobre o pedido.
Em nota divulgada ontem, a bancada do PT na Câmara, liderada pelo também baiano Afonso Florence (BA), anunciou que os parlamentares do partido vão requerer à Polícia Federal, junto com outros partidos de oposição, “cópia do depoimento de Calero e de provas apresentadas por ele”.
Objetivo é o de “avaliar, a partir dos documentos, eventuais crimes cometidos pelo presidente da República e seus ministros”.
A nota diz ainda que os relatos do ex-ministro Marcelo Calero à Polícia Federal sobre as pressões que sofria de Geddel Vieira Lima indicam crime de responsabilidade cometido por Temer, o que “leva a um desdobramento natural, o pedido de abertura do processo de impeachment”.
Florence disse ainda que “identificado o crime de responsabilidade, o caminho é a abertura de um processo de impeachment de Temer. O governo Temer derrete”. O líder petista prometeu que as bancadas de oposição na Câmara e no Senado vão continuar atuando unidas para apurar “o caso Geddel”.
“Agora ficou muito mais grave com o envolvimento de Temer nas denúncias”, avaliou. Calero, em depoimento à Polícia Federal, disse que Temer o “enquadrou” no intuito de encontrar uma “saída” para a obra de interesse de Geddel.
// Agência BR