Quatro meses depois da morte de quatro soldados norte-americanos no Níger, o Estado Islâmico (EI) divulgou um vídeo de propaganda no qual mostra a suposta emboscada de que os militares foram vítimas, com a aparente ajuda de outro grupo terrorista que esteve ligado à Al-Qaeda.
O vídeo foi compartilhado pelo EI no aplicativo para smartphones Telegram, reporta a BBC, salientando que as imagens parecem confirmar a aliança entre o autoproclamado Estado Islâmico e o grupo terrorista Jamaat Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), que esteve ligado à Al-Qaeda.
O vídeo começa com um juramento de fidelidade de combatentes do JNIM a Abu Bakr al-Baghdadi, o líder do EI, escreve a emissora britânica.
O JNIM começou por ser aliado da Al-Qaeda. A “suposta troca para o EI foi reportada no mês passado, por vários analistas”, mas não tinha ainda sido promovida pelos órgãos de propaganda do grupo terrorista nas redes sociais.
A suposta emboscada de que foram vítimas os quatro soldados norte-americanos no Níger ocorreu em outubro de 2017. Na época, o caso se destacou porque a viúva de um dos militares mortos lamentou que Donald Trump lhe disse, no telefonema de condolências, que o marido “sabia no que estava se metendo”.
Não se sabe por que o vídeo só agora foi divulgado pelo EI, cerca de quatro meses depois das mortes. “O vídeo consiste, essencialmente, de filmagens em bruto, incluindo imagens aparentemente filmadas usando a câmera do capacete de um dos soldados“, explica a BBC, constatando que “sugere” que o ataque aos militares dos EUA foi perpetrado por militantes do EI.
As imagens começam com “vários militantes armados caminhando e correndo em uma área deserta, aparentemente rumando em direção a uma emboscada”. “Os soldados são vistos se afastando em um veículo branco, com granadas de fumaça colorida fornecendo cobertura”, relata a BBC.
“Depois de um corte no vídeo”, os soldados norte-americanos “são vistos em torno de outro veículo, com um soldado dirigindo e os outros dois caminhando ao lado, enquanto parecem disparar contra seus atacantes”, acrescenta a mesma fonte.
“Depois, um dos soldados cai ao chão” e o militar que tinha a câmera no capacete tenta levantá-lo. O condutor do veículo sai para ajudá-lo e conseguem se esconder. Mas o soldado com a câmera acaba por cair no chão, presumivelmente abatido. A filmagem termina com a câmera parada e com supostos militantes do EI a cercarem o soldado e a dispararem à queima-roupa, conclui a BBC.
O vídeo foi divulgado em uma altura em que se espera a divulgação dos resultados da investigação do Pentágono sobre a emboscada.
Ciberia // ZAP