Ministério da Administração Interna e Transportes do Japão / Wikimedia

Vista aérea da central nuclear de Fukushima
Um robô conseguiu pela primeira vez medir os altos níveis de radioatividade dentro do reator 1 de Fukushima, além de captar imagens do mesmo, passos necessários para seu futuro desmantelamento, informou ontem a operadora da usina.
O dispositivo, manuseado por controle remoto, é o terceiro que tenta analisar o interior da vasilha de contenção do reator 1, e completou com sucesso a primeira parte de sua missão após superar problemas técnicos, explicou em comunicado a Tokyo Electric Power Company (TEPCO).
O aparelho detectou um nível de radiação de 7,8 sieverts por hora dentro da vasilha de contenção primária, compartimento que armazena o núcleo do reator nuclear e o separa do exterior.
A TEPCO afirmou que o efeito desta radiação “é protegido com dois muros e a cobertura de aço” da vasilha, e precisou que “não foi detectado nenhum impacto” no exterior da unidade atômica número 1 da usina.
Uma dose de um só sievert por dia pode causar danos graves na saúde humana e até a morte, por isso que os níveis estimados no interior das instalações nucleares impossibilitam o acesso de operários humanos e inclusive danificariam aparelhos eletrônicos convencionais.
A TEPCO explicou que os 7,8 sieverts por hora supõem a primeira medição do nível de radioatividade dentro da vasilha do reator, o que “não significa que tenha ocorrido nenhum novo fenômeno” no coração do reator.
O robô seguirá realizando medições nos próximos dias com o objetivo de determinar a suposta presença de combustível que pôde ser filtrado desde o núcleo do reator até o fundo da vasilha de contenção, algo que até agora não foi possível confirmar.
Avaliar as condições no interior do reator é um passo necessário para elaborar um plano sobre a futura retirada do combustível nuclear, embora esta tarefa seja dificultada pelos níveis mortais de radioatividade dentro das instalações nucleares.
Outro aparelho enviado no mês passado pela TEPCO dentro da unidade 2 também teve o sistema eletrônico danificado pela radioatividade.
Os reatores 1, 2 e 3 sofreram fusões parciais de seus núcleos por causa do desastre do terremoto seguido por uma tsunami em março de 2011, e conhecer o estado exato das barras de combustível radioativo é fundamental para seu manejo e retirada.
A crise atômica de Fukushima, desencadeada pelo terremoto e posterior tsunami que castigaram há seis anos o nordeste do arquipélago japonês, é considerada o pior acidente nuclear desde o de Chernobyl (Ucrânia) em 1986.
// EFE