Casada com o vice-governador do estado da Pensilvânia, nos EUA, a brasileira Gisele Barreto Fetterman foi às redes sociais no último domingo, dia 11, para denunciar um ataque racista que sofreu enquanto fazia compras em uma mercearia local.
O vídeo mostra uma mulher abaixando a máscara no rosto para chamar Gisele por um termo considerado extremamente pejorativo e racista no país.
De acordo com o post, os ataques começaram antes da filmagem, quando ela ainda estava dentro da loja, e seguiram durante uma perseguição pelo estacionamento. Por pensar se tratar de uma rápida e simples ida à mercearia, a “segunda dama” do estado havia dispensado a segurança que costuma lhe acompanhar.
“Eu fui até a mercearia local e fui atacada verbalmente por essa mulher que repetia que eu não pertencia a esse país. O confronto continuou até o estacionamento onde finalmente pude registrar depois que parei de chorar”, escreveu Gisele, que é casada com John Fetterman, político do Partido Democrata e atual vice-governador da Pensilvânia.
“Esse comportamento odioso é ensinado. Se você a conhece, se ela sua vizinha ou parente, por favor, ensine a ela o amor”, seguiu. “Eu amo, amo, amo esse país, mas estamos profundamente divididos”.
Forças oficiais do estado iniciaram investigação imediata, e a agressora já foi identificada – as informações serão avaliadas pela polícia local, mas nenhuma queixa-crime foi prestada.
O governador do estado, Tom Wolf, respondeu à denúncia de Gisele referindo-se à agressão racista como sendo “vergonhosa e inaceitável”, e oferecendo todo apoio e gratidão à brasileira, que preside três ONGs nos EUA, por seu “trabalho incansável para tornar a Pensilvânia o lugar mais diverso e inclusivo que é hoje”, disse o governador.
“Gisele Fetterman usa quase todo seu tempo fazendo do nosso estado e mundo um lugar melhor e ela – e todo morador da Pensilvânia – merece respeito e não ódio tão frequentemente demonstrado por pessoas que procuram dividir ainda mais o país em um tempo em que a união é tão necessária”, escreveu Wolf. “Racismo é inaceitável sempre. Ninguém deve se sentir indesejado em nossa comunidade pela sua raça ou etnia”.
Gisele Barreto Fetterman é carioca, tem 38 anos e vive nos EUA desde a infância, quando mudou para o país com sua mãe. Mãe de três crianças com John, ela viveu por mais de uma década por lá indocumentada, e conseguiu o Green Card – documento que garante sua residência fixa e legalizada no país – em 2004, tornando-se cidadã estadunidense em 2009.
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