Câncer é encontrado em esqueleto egípcio com quase 3 mil anos

(dr) El Moto

Múmia de um homem de 50 anos com câncer no reto encontrado no Egito

Um grupo de arqueólogos descobriu seis casos de câncer nos restos mortais de antigos egípcios enterrados no oásis de Dakhleh, no Egito. Entre os resultados, encontra-se uma criança com leucemia, um homem de 50 anos com câncer no reto e alguns indivíduos com câncer possivelmente causado pelo vírus do Papiloma Humano (HPV).

Os casos de câncer foram encontrados enquanto os cientistas analisavam os restos mortais de 1.087 antigos egípcios, enterrados entre 1.500 e 3 mil anos atrás.

Ao extrapolar a partir desses casos, os cientistas estimaram que o número de casos de câncer na região egípcia era de cinco em mil, metade do valor atualmente registrado nas sociedades modernas, explicaram os cientistas El Molto e Peter Sheldrick no artigo publicado em fevereiro na International Journal of Paleopathology.

Os pesquisadores acrescentaram que esses valores demonstram que “o risco de ser diagnosticado com câncer ao longo da vida das sociedades ocidentais atuais é 100 vezes maior do que a registada no antigo Dakhleh”.

Molto, um antropólogo aposentado da Universidade de Ontário, no Canadá, alertou que algumas pessoas de Dakhleh poderiam ter morrido vítimas de câncer sem que houvesse qualquer vestígio nos seus restos mortais. Além disso, avisou também que as pessoas do mundo antigo tendiam a ter vidas mais curtas.

No entanto, e mesmo levando em conta esses fatores, os cientistas acreditam que o risco de se ter a doença foi consideravelmente mais baixo no Antigo Egito.

Em cinco dos seis casos, os pesquisadores determinaram que as pessoas tinham câncer através do estudo das lesões de seus esqueletos – buracos e danos ósseos. Estes buracos se formaram quando o câncer começou a se espalhar por todo o corpo.

Um dos esqueletos encontrados, de uma mulher entre 40 e 50 anos, tinha no quadril direito um buraco de 6,2 centímetros, que os cientistas acreditam ter sido causado por um tumor.

Já no caso do homem de 50 anos com câncer retal, o tumor real foi preservado. No entanto, na maioria dos casos, os cientistas não conseguem determinar a origem dos cânceres.

Incidência em jovens adultos

Três dos seis casos – dois homens e uma mulher – eram pessoas na casa dos 20 ou 30 anos, uma idade na qual é menos comum as pessocas terem câncer, de acordo com os cientistas.

“Quando os casos de Dakhleh foram apresentados pela primeira vez em encontros com outros profissionais, o comentário mais apontado contra o diagnóstico era o fato de serem pessoas ‘muito jovens’, escreveram Molto e Sheldrick, um médico em Chatham, Ontário.

Mulher egípcia antiga, com cerca de 20 anos, com o câncer espalhado para o cérebro

No entanto, pesquisas recentes demonstraram que o HPV é uma das principais causas de várias formas de câncer, incluindo as que afetam frequentemente jovens adultos.

“O HPV é uma causa confirmada de câncer no colo do útero e nos testículos, tendo evoluído na África muito antes de o Homo sapiens emergir”, explicaram os autores.

“As duas mulheres e o homem enterrados em Dakhleh, todos jovens adultos, poderiam ter câncer no colo do útero e câncer nos testículos, respectivamente”, escreveram. “Nós sabemos, a partir de pesquisas atuais sobre a epidemiologia do câncer, que ambos esses tipos de câncer têm maior incidência nesta faixa etária“.

Apesar de ainda não terem conseguido testar geneticamente os três jovens para confirmar se tinham HPV, os cientistas afirmam que existem outros estudos que comprovam que o vírus já existia no mundo antigo. E, por isso, notaram que era muito provável que existisse também no oásis de Dakhleh.

Não há provas de tratamentos antigos

Até agora, e através de pesquisas de textos médicos e restos mortais, não há provas que os egípcios antigos tivessem algum tratamento específico para o câncer.

“Os egípcios sabiam que algo estava acontecendo”, explicou Molto ao Live Science. No entanto, “não encontramos nenhuma indicação de tratamentos específicos para o câncer, até porque não conseguiam entender o que era a doença”. Vale acrescentar que os egípcios antigos poderiam ter tentando curar alguns sintomas, como úlceras na pele.

Os cientistas esperam que no futuro sejam recolhidos mais dados sobre câncer e outras doenças na atualidade. Essas informações podem depois ser comparadas com as taxas de incidência no mundo antigo, fornecendo assim mais evidências sobre como o risco de câncer evoluiu ao longo dos tempos.

Ciberia // ZAP

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