Wake Forest Institute for Regenerative Medicine

Uma equipe de cientistas chineses conseguiu criar orelhas em laboratório e implantá-las em crianças, graças a uma tecnologia experimental que recorre à impressão 3D.
Trata-se da primeira vez que a cartilagem humana de uma orelha é criada em laboratório e implantada cirurgicamente, informa o site IFLScience. Desde 2015 que a tecnologia existia, mas só agora é que os cientistas conseguiram implementá-la.
Os cientistas chineses trataram cinco crianças que sofrem de uma deformação congênita do ouvido externo conhecida por microtia, uma condição rara que afeta um em cada 5 mil bebês e que envolve a forma e as funções das orelhas.
Os pacientes tinham microtia unilateral, o que significa que apenas uma das orelhas estava afetada pela deformação, como explicam os pesquisadores no artigo científico publicado no início do mês no jornal EBioMedicine.

Criança chinesa tratada com tecnologia experimental que usa impressão 3D para criar orelhas in vitro
Para procederem à reconstrução das orelhas, os cientistas retiraram condrócitos, células das cartilagens, das orelhas saudáveis das crianças afetadas pela deformação.
Depois da multiplicação dessas células, elas foram espalhadas nos moldes 3D, com a forma da orelha desejada, feitas a partir de compostos biodegradáveis. A criação in vitro da cartilagem decorreu com recurso a “uma dieta de fatores de crescimento”.
Trata-se de um processo de 12 semanas em que “os condrócitos começam a formar colágeno e fibras de elastina” dentro do molde esponjoso, refere a mesma publicação.
A seguir, os cientistas procederam à implantação das orelhas criadas em laboratório nas crianças, acompanhando os pacientes durante dois anos e meio.
Ainda foi necessário fazer várias cirurgias plásticas para ajustamentos. “Pequenas amostras de tecido retiradas durante estes procedimentos demonstraram que os condrócitos continuaram saudáveis e a produzir cartilagem comparável à de uma orelha natural”, aponta o jornal.
Em quatro dos cinco pacientes, os resultados não revelaram efeitos tão positivos, em termos estéticos, e continuam sendo seguidos pelos pesquisadores.
Atualmente, o tratamento de microtia implica “colher cartilagem das costelas do paciente e moldar cuidadosamente o tecido na forma de uma orelha”, como destaca o IFLScience, realçando que é um processo muito difícil, que requer grande precisão cirúrgica. E mesmo com a maestria do cirurgião, é complicado obter um resultado final satisfatório.
Assim, a nova tecnologia experimental se assume como uma alternativa que pode surtir melhores resultados. Só falta torná-la recorrente nos procedimentos clínicos, o que ainda demorará mais alguns anos.
Ciberia // ZAP