(dr) Rafael Marchante / Reuters

O presidente da Liga dos Bombeiros de Portugal, Jaime Marta Soares, garantiu na manhã desta quarta-feira (21) que o incêndio de Pedrógão Grande (região central do país) já estava ativo há cerca de duas horas quando ocorreu a trovoada seca (quando a chuva evapora antes de chegar ao solo e é acompanhada por raios e trovões). Para ele, é evidente que o fogo teve “origem criminosa”.
A convicção do presidente da Liga dos Bombeiros (LB) foi deixada por Jaime Marta Soares no Fórum da rádio portuguesa TSF, e contraria a versão oficial sobre a origem do grande incêndio – que ainda não foi apagado.
As autoridades afirmaram que o fogo teria sido causado por uma trovoada seca, mas Soares tem uma visão diferente. “Eu tenho para mim, até provar o contrário, de que o incêndio teve origem em mão criminosa“, considera Marta Soares.
“O incêndio já estava decorrendo há cerca de duas horas quando, efetivamente, se deu o problema com raios que provocaram um conjunto de ignições acrescendo àquele incêndio que já era de uma violência extraordinária”, nota o responsável.
Ao analisar a dimensão da tragédia e as críticas que surgiram à atuação das autoridades, o presidente da LB assume, também na TSF, que “há coisas que podiam ter sido diferentes”. “A LB vai exigir uma análise detalhada sobre todas as questões”, destaca Marta Soares, frisando que “nada pode ser como antes”.
Quanto às alegadas falhas no sistema de comunicações, que teriam impedido uma melhor atuação no combate às chamas que provocou 64 mortes, o presidente da LB afirma que o fato não pode servir de “desculpa” para tudo.
“Há outros meios complementares que ajudam”, nota Marta Soares, referindo porém que é preciso fazer “uma análise profunda para ver o que falhou” para que, no futuro, tragédias como esta venham a ser evitadas.
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