Primeira musa trans da Salgueiro desabafa: “Lutei muito para ser mulher”

Kamilla Carvalho tem 30 anos e estreará como musa da Acadêmicos do Salgueiro no carnaval carioca deste ano. A dançarina terá a responsabilidade de sambar ao som de um enredo que fala sobre a história de luta das mulheres negras. Além disso, Kamilla se tornará a primeira mulher transexual a sambar pela escola.

Apesar de estar representando a escola da Zona Norte, Kamilla cresceu no Centro do Rio de Janeiro, no Morro da Providência, onde desenvolveu sua paixão pelo samba.

Em entrevista ao G1, a musa contou que a primeira vez que entrou na Sapucaí foi antes da transformação, na escola de samba Vizinha Faladeira, da comunidade onde vivia. Lá, ela desfilou por anos como passista.

A chegada à Salgueiro aconteceu através do trabalho. Kamilla é cabeleireira e conheceu Regina Celi, presidente da escola, no salão. Elas ficaram amigas e passaram a frequentar a quadra da escola juntas.

Esse vai ser o ano mais marcante de todos. Estou numa ansiedade surreal”, disse ela, que afirma amar o carnaval desde criança. “Minha vizinha de porta é a falecida Dodô da Portela, e eu moro num lugar que é um arquivo do samba. Ali tem os barracões das escolas de samba, então a proximidade é muito fácil, você não precisa se deslocar para estar em contato com o carnaval”, afirmou.

Preconceito por ser trans

Como todas as mulheres nessa condição, Kamilla já enfrentou muitas barreiras sociais para conseguir se sentir bem com seu próprio corpo. Uma das histórias foi decisiva para sua mudança de identidade.

“O maior deles foi no aeroporto. Eu estava com umas pulseiras e quando eu passei no detector de metais, apitou. Eu tirei as pulseiras e apitou de novo. Quiseram me revistar e colocaram um homem para me revistar. Eu não queria, mas falaram que se eu não aceitasse iam ter que chamar a Polícia Federal”, contou ao portal de notícias da Globo.

“No final, eu passei por mais um constrangimento porque eu me atrasei e aí me anunciaram e eu ainda não tinha trocado o meu nome judicialmente. Falaram ‘senhor fulaninho de tal’. Nesse dia eu resolvi trocar [de nome], porque eu nem ligava. Mas, nesse dia, eu resolvi entrar com um processo de mudança de nome. Achei uma humilhação”, lembrou.

Kamilla também julga que, ante o meio social, o carnaval seja uma área mais tolerante. “Quando você pega um público de carnaval, que é uma festa muito abrangente em nível internacional, você vê que um espaço desse deveria ter tido há muito tempo. Várias trans já tiveram destaque. A Ariadna [ex-BBB], a Roberta Close saiu várias vezes em destaque”, lembrou.

A musa também explicou o que a fez querer ser mulher mesmo em uma sociedade tão machista. “Eu estava vendo o discurso da Oprah no fim de semana [durante o Globo de Ouro] e é aquilo ali, é perfeito. Você ser mulher, é ter atitude. Mesmo que eu tenha escolhido, você tem que vestir uma capa de uma coisa que pra mim foi tudo”, diz.

“Eu lutei muito pra ser mulher”, conclui.

Ciberia // Hypeness

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