China inaugura a maior ponte marítima do mundo (mas nem todos podem usá-la)

O presidente da China, Xi Jinping, inaugurou nesta terça-feira (23) a ponte que liga Hong Kong, Zhuhai e Macau, considerada a maior travessia marítima do mundo, após nove anos de construção.

“Eu abro oficialmente a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau”, declarou o chefe de Estado chinês, em uma curta intervenção durante a cerimônia de inauguração da ponte, na cidade chinesa de Zhuhai, adjacente a Macau.

Antes do discurso de Xi Jinping, a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, teceu palavras de agradecimento ao líder chinês por ter inaugurado a ponte.

Na presença de mais de 700 convidados, o vice-primeiro ministro da China destacou que essa mega infraestrutura vai possibilitar mais atividades comerciais e a aproximação econômica entre a China e a antiga colônia britânica.

Na segunda-feira, o chefe do governo de Macau tinha afirmado que o território “vê com bons olhos a abertura oficial da ponte e se parabeniza pela conclusão da obra”, cuja abertura à circulação está marcada para esta quarta-feira (24).

Fernando Chui Sai On indicou que Macau está preparado “para a abertura oficial da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau” em termos de segurança e transportes.

A ponte é um marco do projeto de integração regional da Grande Baía, que visa criar uma metrópole mundial a partir dos territórios de Hong Kong, Macau e nove localidades da província chinesa de Guangdong (Cantão, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen e Zhaoqing).

Detector de bocejos e acesso limitado

A maior ponte do mundo tem uma estrutura principal que mede 29,6 quilômetros, com uma seção em ponte de 22,9 quilômetros e um túnel subaquático de 6,7 quilômetros, em uma extensão total de 55 quilômetros.

No entanto, não é apenas o seu tamanho que causa curiosidade. A travessia inaugurada tem uma série de inovações, que a tornam ainda mais peculiar.

Assim como conta o Guardian, uma das novidades introduzidas são as câmeras que detectam os bocejos dos condutores, controlando se fazem isso muitas ou poucas vezes.

Caso bocejem de forma repetida, isto é, pelo menos três vezes em 20 segundos, as câmeras emitem um alarme para confirmar se o motorista está realmente em condições de continuar a dirigir.

Outra das particularidades, e igualmente a pensar na segurança dos próprios condutores e cidadãos, é a presença de sensores que controlam a pressão e o ritmo cardíaco dos condutores. De acordo com o mesmo jornal, essa informação é depois enviada para o centro de controle da ponte.

Apesar do seu enorme tamanho, a ponte não será de livre circulação (sujeita a cotas). O acesso à infraestrutura será limitado e condicionado de acordo com um conjunto de regras por parte do governo

Quem parte de Hong Kong, por exemplo, vai precisar de uma autorização especial para fazer a travessia, havendo também uma série de credenciais de longa duração mais específicas para atribuir a grupos de cidadãos que cumpram um conjunto de critérios exigidos pelo governo chinês.

Para os motoristas que não consigam reunir os critérios exigidos para utilizar a ponte, há ônibus específicos para transportá-los. Essa restrição tem causado fortes críticas, uma vez que a obra foi financiada com verbas dos contribuintes que, nem assim, têm acesso garantido à travessia.

De acordo com o South China Morning Post, custou aos três governos cerca de 1,9 bilhão de euros.

Quase uma década para a construção

A construção começou em 2009 e previa-se a abertura para 2016, mas vários problemas, como acidentes de trabalho, uma investigação de corrupção, obstáculos técnicos e derrapagens orçamentais obrigaram a um adiamento da inauguração.

Vários observadores consideraram que o objetivo dessa ponte, assim como uma nova linha ferroviária de alta velocidade para o interior da China inaugurada no dia 22 de setembro, é aumentar o controle da China sob Hong Kong, que assim como Macau, goza de autonomia alargada de liberdade de expressão e poder judicial independente.

A nova linha ferroviária de alta velocidade para o interior da China vai reduzir consideravelmente o tempo de viagem entre os dois territórios, sendo que a parte da estação situada em Hong Kong fica sob jurisdição chinesa.

As novas infraestruturas custaram cerca de 10 bilhões de dólares e as autoridades estimaram que a capacidade de transporte diário é superior a 80 mil passageiros entre o centro financeiro asiático de 7 milhões de habitantes e o centro industrial vizinho da província de Guangdong.

O trem vai de Hong Kong para Shenzhen em apenas 14 minutos, sendo que o anterior demorava quase uma hora para percorrer os 26 quilômetros que separam os dois territórios. Já para a capital de Guangdong, Cantão, os passageiros vão demorar pouco mais de meia hora, cerca de 90 minutos mais rápido que o anterior.

A transferência da soberania britânica de Hong Kong para a China ocorreu no dia 1 de julho de 1997. Pequim garantiu, assim como em Macau, o princípio de “um país, dois sistemas” e um período de transição de 50 anos.

Ciberia // ZAP

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