Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Com 42 votos, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) foi eleito este sábado (2) em primeiro turno presidente do Senado. O principal opositor de Alcolumbre, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), retirou a candidatura.
Renan Calheiros teve 5 votos. Espiridião Amin (PP-SC) ficou com 13 votos, Ângelo Coronel (PSD-BA) teve 8 votos, Reguffe recebeu (sem partido-DF) 6 votos e Fernando Collor (Pros-AL) ficou com 3 votos.
Senador de primeiro mandato, Alcolumbre teve uma atuação discreta nos primeiros quatro anos de mandato no Senado.
Aos 41 anos, o senador estreou na política no início deste século. Foi vereador em Macapá, três vezes deputado federal e chegou ao Senado em 2015. Nas eleições de outubro passado, concorreu ao governo do Amapá e ficou em terceiro lugar.
Na disputa pelo comando da Casa, revelou-se um hábil articulador, congregando os adversários de Renan Calheiros e os aliados do governo federal. O novo presidente contou com o apoio do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, também filiado ao DEM.
É um dos mais jovens senadores a assumir a presidência da Casa. Eleição A eleição para a presidência do Senado foi marcada por um embate sobre se a votação seria aberta ou secreta.
Três senadores retiram candidatura
Além de Renan Calheiros, também a senadora Simone Tebet (MDB-MS) anunciou a retirada de sua candidatura avulsa à Presidência da Casa. Tebet declarou voto em Davi Alcolumbre.
Pouco antes, Alvaro Dias (Pode-PR) e Major Olímpio (PSL-SP) também tinha retirado seu nome da disputa ao principal cargo da Casa.
Com isso, seis senadores permaneceram almejando à Presidência do Senado: Ângelo Coronel (PSD-BA), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Espiridião Amin (PP-SC), Fernando Collor (Pros-AL), Renan Calheiros (MDB-AL), Reguffe (sem partido-DF).
“Para mim, o mais importante é recuperarmos a credibilidade desta Casa perante a sociedade brasileira, que clama por renovação e alternância de poder”, disse Simone.
“Quero dizer que não tenho problema nenhum em declinar da minha candidatura a favor do senador Davi Alcolumbre, como fez o senador Álvaro Dias, como fez o senador Major Olímpio, porque nós estamos unidos na nossa diferença. Declino da minha candidatura avulsa já declarando voto para o senador Davi Alcolumbre”, acrescentou.
O próprio senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) havia pedido o “gesto de confiança” de Simone a fim de tentar construir uma candidatura com chances de derrotar o também candidato à presidência da Casa, Renan Calheiros (MDB-AL).
“Vossa Excelência poderia estar aqui na Presidência da Casa, senadora. Seria uma honra, mas não conseguiu apoio dentro da sua bancada. Por isso, peço uma oportunidade. Peço para você: acredite. Faça um gesto. O Brasil te respeita pela coragem”, reforçou Alcolumbre, que prometeu, se eleito, ampliar a transparência dos atos legislativos e de todos os fatos envolvendo o Senado.
“O Senado deve se balizar pelos pilares da independência, transparência, austeridade e protagonismo. Os desafios do atual momento brasileiro são imensos. Por um lado, a complexa crise fiscal exige reformas urgentes a fim de corrigirmos as distorções. Por outro, é preciso reverter a profunda crise política que minou a confiança nos políticos”, disse Alcolumbre, acrescentando que o povo clama por um novo modelo de fazer político.
Já o senador Espiridião Amin fez questão de manter sua candidatura como um exercício democrático.
“O Brasil merece que Reguffe, que Alvaro Dias e outros sejam candidatos. Não vamos aceitar o discurso de que, ao disputar, estamos favorecendo a candidatura de Renan Calheiros. Isso é reducionismo”, ponderou Amin, afirmando sentir-se qualificado para “participar do esforço coletivo de tirar do chão a política e, especialmente, o Parlamento”.
Propostas
O candidato Reguffe (sem partido-DF) apresentou suas propostas para a presidência do Senado, como a redução do número de assessores, o fim do plano de saúde vitalícia e aposentadoria especial de parlamentares.
“Todas essas medidas eu tomei no meu gabinete a partir do primeiro dia de mandato, em caráter irrevogável”, disse, lembrando que as medidas geraram uma economia direta de 16,7 milhões.
Refuffe disse que o Senado não pode ser um “puxadinho” do poder executivo, e nem um instrumento de barganha, ou um obstáculo para o desenvolvimento do país. “Todas as propostas colocadas devem ser votadas aqui, seguindo o rito legal e sem atropelos”. Ele também garantiu que irá pautar a votação das reformas política e tributárias.
O senador Ângelo Coronel (PSD-BA) também defendeu a aprovação de reformas e a igualdade entre senadores para relatoria de matérias importantes. “Temos que acabar com o alto e o baixo clero, todos têm que ser tratados com igualdade”.
Ele também propôs a instituição de um colégio de líderes, para evitar a concentração de poder, e a votação de propostas apresentadas pelos próprios senadores. “Precisamos produzir para mostrar a sociedade brasileira que o Senado não pode ser uma casa homologadora”
Fernando Collor (Pros-AL) defendeu reformas e criticou a judicialização da política. Para ele, é preciso rever o pacto federativo para que estados e municípios “deixem de ser humilhados”. “A sociedade exige uma nova visão da classe política e o cargo exige um líder com experiência comprovada”, disse.
Renan Calheiros
O senador Renan Calheiros fez um discurso longo e iniciou dizendo nunca ter “enxergado o poder como um fim em si mesmo”. O emedebista afirmou que o baixo índice de reeleição ao Senado na campanha de 2018 “dizimou” a casa.
“Tivemos uma hecatombe”, afirmou. E, segundo ele, é necessário alguém para reerguê-la. Renan prometeu criar uma Secretaria Especial de Assuntos Constitucionais, de caráter consultivo, para impedir a tramitação de projetos que sejam considerados contrários à Constituição.
Renan tornou pública a conversa que teve com o presidente Jair Bolsonaro, ainda hospitalizado em São Paulo.
“Ele me ligou, ainda abatido pela recuperação, e disse ‘quero agradecer pela postagem que você fez desejando uma rápida recuperação. Eu ainda estou no hospital e estarei na quarta-feira em Brasília para a gente conversar’’’.
Em seguida, o senador afirmou que a ligação foi vazada para a imprensa para, segundo ele, “esvaziar o simbolismo daquele telefonema e para que o presidente ligasse também para os outros postulantes”.
Renan defendeu a reforma da Previdência, principal pauta do governo federal neste primeiro semestre. “É evidente que chegou a hora de reformar a nossa Previdência. Uma reforma que tenha como princípio o combate ao privilégio que faz esse país andar para trás”.
Ciberia // Agência Brasil / ANSA