Estudo mostra como mudanças climáticas afetarão a energia hidrelétrica no Brasil

Um novo relatório publicado pela Global Environmental Change revela que, nas próximas décadas, as reduções de precipitação e vazão dos rios na região amazônica — a maior bacia hidrográfica do mundo e uma forte candidata para o desenvolvimento da energia hidrelétrica no Brasil —, provocadas pelas mudanças climáticas, reduzirão de maneira significativa a capacidade de produção de energia hidrelétrica da região.

Os pesquisadores envolvidos no relatório revisaram cerca de 350 projetos hidrográficos propostos para a bacia amazônica. No entanto, para a realização deles, é necessário que exista uma capacidade hidrológica. O estudo indica que, em meados deste século, a região passará por mudanças que diminuirão a capacidade de geração de energia hidrelétrica.

O ecologista Stephen Hamilton, do Cary Institute of Ecosystem Studies e co-autor do relatório, explica que os projetos hidrelétricos para a bacia amazônica são baseados nos níveis históricos dos rios. “A mudança climática está interrompendo esses padrões, o que significa que projetos existentes e os propostos provavelmente não serão tão eficazes sob as condições futuras”, acrescenta Hamilton.

A equipe utilizou vários cenários climáticos apresentados pelo 6º Relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) para realizar modelações em escala continental sobre a precipitação e vazão dos rios. Além disso, eles estimaram como as mudanças afetam os custos de energia, comparando com a solar e a eólica na região amazônica.

Segundo as projeções, em meados deste século, os fluxos dos rios nos locais de barragem propostos nos projetos devem diminuir entre 13% a 20%. Na parte da Amazônia localizada no Brasil, o fluxo caiu de 18% a 23%, enquanto nos países andinos, onde as chuvas devem aumentar, os fluxos podem subir entre 1,5% a 2,5%. Essas mudanças também afetarão o custo da energia brasileira — podendo aumentar entre 52% a 105%.

Em contrapartida, a energia solar e eólica devem se tornar cada vez mais competitivas, em termos econômicos, garantindo maior segurança e menos custos ambientais do que a produção hidrelétrica. “A energia hidrelétrica precisa ser projetada para operar em conjunto com fontes alternativas de energia”, explica Hamilton. As novas instalações hidrelétricas precisam ser pensadas conforme as projeções e não a partir do histórico de volume dos rios.

Os pesquisadores ressaltam que os planejadores da energia brasileira precisam se concentrar em medidas de resiliência climática. Neste ano, o Brasil atravessa a pior crise hídrica dos últimos 91 anos por conta da extensa seca nos principais reservatórios do país. O que, aliás, já tem afetado o custo da energia do brasileiro, uma vez que são acionadas as usinas térmicas que, além de mais caras, são mais nocivas ao meio ambiente.

O relatório foi publicado na Global Environmental Change.

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