Pais de criança morta em tiroteio criticam o Facebook em carta aberta a Zuckerberg

(dr) Lenny Pozner

Lenny Pozner, o pai de uma das crianças que foi morta a tiro no massacre de Sandy Hook

Depois da morte do filho de seis anos no massacre de Sandy Hook, nos EUA, Lenny e Veronique são vítimas de ataques e ameaças constantes nas redes sociais, sobretudo no Facebook.

Noah Pozner tinha seis anos quando, no dia 14 de dezembro de 2012, foi uma das 20 crianças assassinadas no massacre de Sandy Hook, uma escola primária no estado de Connecticut, nos EUA.

O atirador de 20 anos, Adam Lanza, que se suicidou no fim do tiroteio, entrou no estabelecimento de ensino e disparou indiscriminadamente, tendo também vitimado seis adultos. Antes, tinha assassinado a mãe em casa.

Em carta aberta ao fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, divulgada pelo The Guardian na quarta-feira (25), os pais da criança explicam que, desde aquele dia, estão em uma “batalha constante com os provedores das redes sociais (…) para que nos protejam do assédio e das ameaças”.

“Quase imediatamente depois do massacre das 20 crianças, todas com menos de sete anos, e de seis professores e funcionários da escola, os ataques começaram. Grupos de conspiração e provocadores antigoverno começaram a alegar no Facebook que o massacre era uma farsa, que as vítimas eram ‘atores de crise’ e que o público deveria agir para ‘descobrir a verdade’ sobre nossas famílias. As alegações e apelos à ação se espalharam como um incêndio e, apesar dos alertas, foram protegidos pelo Facebook”, acusam Lenny Pozner e Veronique de la Rosa.

“Embora os termos que usa, como ‘notícias falsas’ ou ‘grupos de conspiração marginais’, pareçam relativamente inócuos, deixe-me dar a eles algumas dicas sobre os efeitos de permitir que sua plataforma continue a ser usada como um instrumento para disseminar o ódio. Sofremos assédio, abuso e ameaças de morte online, por telefone e pessoalmente”, pode ler-se no jornal britânico.

Facebook tem uma “tremenda responsabilidade”

“A fim de nos proteger e aos nossos filhos, tivemos que nos mudar várias vezes. Esses grupos usam as redes sociais, incluindo o Facebook, para nos ‘caçar’, compartilhando nosso morada e vídeos da nossa casa. Estamos vivendo escondidos. Estamos longe de estar sozinhos, já que muitas outras famílias que perderam entes queridos em tiroteios e outras tragédias relatam o mesmo tormento contínuo”.

“Nossas famílias estão em perigo como resultado direto de centenas de milhares de pessoas que veem e acreditam nas mentiras e discurso de ódio, que o senhor decidiu que deveria ser protegido. O que torna toda a situação ainda mais horrível é que tivemos que travar uma batalha quase inconcebível com o Facebook para nos fornecer as proteções mais básicas para remover o conteúdo mais ofensivo e incendiário”.

“Em recente entrevista, insinuou que o Facebook agiria mais rapidamente contra o assédio direcionado às vítimas de Sandy Hook do que os negadores do Holocausto, mas essa não é a nossa experiência. Na verdade, sugeriu que esse tipo de conteúdo continuaria a ser protegido e que sua ideia de combater conteúdos incendiários era fornecer contrapontos para empurrar as ‘notícias falsas’ para baixo nos resultados de pesquisa. É óbvio que isso não nos garante qualquer proteção“.

Por isso, os pais de Noah deixam duas sugestões a Zuckerberg: que trate as vítimas de tiroteios em massa e outras tragédias como um grupo protegido, para que os ataques contra essas pessoas sejam especificamente contra a política do Facebook, e que forneça às pessoas afetadas acesso à equipe da rede social para que removam de forma imediata as publicações de ódio e assédio.

“O Facebook desempenha um papel gigantesco ao expor informação às massas. Esse nível de poder vem com a tremenda responsabilidade de garantir que sua plataforma não é usada para prejudicar os outros ou contribuir para a proliferação do ódio. No entanto, parece que, sob o disfarce da liberdade de expressão, o senhor está preparado para dar licença a pessoas que têm como único objetivo fazer exatamente isso”.

“Depois de sentir tanta esperança após sua promessa no Senado de tornar o Facebook um lugar mais seguro para a interação social, estamos mais uma vez decepcionados com seus recentes comentários apoiando um porto seguro para negadores do Holocausto e grupos de ódio que atacam vítimas da tragédia”.

“Nosso filho Noah já não tem voz e nunca mais vai poder viver sua vida. Sua ausência é sentida todos os dias. Mas somos incapazes de nos lamentar pelo nosso bebê ou seguir em frente com as nossas vidas porque o senhor, indiscutivelmente o homem mais poderoso do planeta, considerou que os ataques contra nós são irrelevantes, que prestar assistência na remoção de ameaças é muito pesado e que nossas vidas são menos importantes do que fornecer um refúgio seguro para o ódio”.

Ciberia // ZAP

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