França, Alemanha, Reino Unido, Irlanda, Austrália, Coreia do Sul, Singapura, Malásia, Omã: a lista de países suspendendo os voos com o Boeing 737 MAX 8 não para de aumentar nesta terça-feira (12).
Nos últimos dois dias, outros países – como a China, a Indonésia e a Mongólia -, também anunciaram a mesma medida, depois da queda, no último domingo (10), de um aparelho deste modelo operado pela Ethiopian Airlines, provocando a morte de 157 pessoas.
Após o segundo acidente com o Boeing 737 MAX 8 em menos de cinco meses, especialistas e autoridades questionam a segurança da aeronave, que está em funcionamento há menos de dois anos. Em 29 de outubro de 2018, um aparelho do mesmo modelo, utilizado pela companhia Lion Air, caiu no Mar de Java, na Indonésia, poucos minutos após a decolagem, matando 189 pessoas.
Várias companhias aéreas que operavam voos com o Boeing 737 MAX 8 também tomaram a decisão de deixar temporariamente no solo os aviões deste modelo. São elas: a brasileira Gol, a Aerolíneas Argentinas, a norueguesa Norwegian Air Shuttle, a islandesa Icelandair, a turca Turkish Airlines, a Ethiopian Airlines, a Cayman Airways, a sul-africana Comair e a Aeromexico.
No total, existem hoje cerca de 350 aviões Boeing 737 MAX 8 em serviço no mundo. As companhias indianas Spicejet e Jet Airways têm, respectivamente 12 e cinco modelos do Boeing 737 MAX 8. Embora não tenham anunciado a suspensão dos voos com essas aeronaves, ambas as empresas indicaram que, no momento, nenhuma delas está operacional.
EUA mantêm os voos
Na segunda-feira, os Estados Unidos disseram que vão determinar que a Boeing faça modificações nos modelos 737 MAX 8 e 737 MAX 9, mas decidiram manter os voos. “Nenhuma mudança. Continuamos implicados nas investigações sobre o acidente e tomaremos decisões em função dos elementos recolhidos”, indicou uma porta-voz da FAA, a agência federal de aviação americana.
Para o presidente americano, Donald Trump, “está cada vez mais complicado de pilotar os aviões”, uma tarefa, segundo ele, à altura somente de “engenheiros da computação da MIT”, uma dos maiores institutos de de tecnologia do mundo, localizado em Massachussetts. Segundo o republicano, “toda a complexidade cria perigo”.
“Eu não sei vocês, mas não quero que Albert Einstein seja meu piloto. Quero ótimos profissionais do voo que possam facilmente e rapidamente controlar um avião!”, publicou em seu Twitter.
Toda a pressão sobre a companhia fez com que suas ações caíssem mais de 4% na abertura de Wall Street nesta terça-feira. Uma reação exagerada, para o presidente da Boeing, Dennis Muilenburg. “Especular sobre a causa do acidente e discuti-lo sem ter todos os elementos importantes não é apropriado e pode comprometer a integridade das investigações”, afirmou, em um documento enviado a seus 150 mil empregados.
// RFI BR