Polícia prende prefeito por associação ao tráfico de drogas no Rio de Janeiro

(dv) Prefeitura de Japeri

O prefeito de Japeri, Carlos Moraes Costa

O prefeito de Japeri, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Carlos Moraes Costa, de 73 anos, do PP, foi preso nesta sexta-feira (27), em Nova Iguaçu, em operação do Ministério Público e da Polícia Civil.

A prisão integra a Operação Senomes, deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela Polícia Civil.

A operação foi deflagrada para cumprir mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra o prefeito e também contra o presidente da Câmara de Vereadores, Wesley George de Oliveira, e o vereador Cláudio José da Silva, o Cacau, que também foi preso.

Segundo informações da Polícia Civil, os três, ao lado de Jenifer Aparecida Kaizer de Matos, foram denunciados pelo MPRJ à Justiça por associação ao tráfico de drogas.

A operação teve como base investigações da Polícia Civil, do Grupo de Atribuição Originária em Matéria Criminal e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado.
Procurados

Paralelamente, ainda segundo o MP, estão sendo cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra 37 traficantes denunciados por integrarem a mesma facção criminosa que controla a venda de drogas em diversas favelas de Japeri, na Baixada Fluminense, sob a liderança de Breno de Souza, o BR, preso na semana passada.

O MPRJ também obteve junto ao Judiciário a suspensão do exercício da função pública do prefeito e dos dois vereadores. A denúncia narra que o prefeito e os vereadores integravam o núcleo político da organização criminosa que domina o tráfico de drogas no Complexo do Guandu, em Japeri.

“Ela aponta que eles se aproveitavam do peso e prestígio de seus cargos para atuar em favor dos interesses criminosos dos traficantes de drogas, em especial, do traficante Breno de Souza”, diz o MPRJ.

As informações levantadas pelas investigações indicam que “os políticos se valiam de seus mandatos para repassar informações privilegiadas e articular ações integradas que permitissem ao bando desenvolver livremente suas atividades ilícitas”.

A denúncia descreve que o uso do prestígio político deles não se limitava à prática de atos de persuasão junto a outras autoridades, “tendo sido detectados indícios de fraudes em licitações e desvio de dinheiro público em favor dos interesses da organização criminosa”, segundo o MPRJ.

Escutas telefônicas

Escutas telefônicas feitas durante as investigações com autorizações judiciais flagraram o prefeito de Japeri em diálogos com Breno de Souza, “que demonstram o seu profundo comprometimento com a defesa dos interesses da organização criminosa”.

As escutas detectaram, ainda, episódios em que Breno de Souza ligava para o prefeito e para outras pessoas influentes do município a fim de interromper uma operação policial para impedir a realização de um baile funk promovido por traficantes.

O vereador Claudio José, o Cacau, também preso, também ligou para o traficante se prontificando a ajudar a encontrar uma solução para a intervenção policial na comunidade.

“O prefeito retornou o contato telefônico com Breno para dizer que estava empenhado em atender a sua demanda e para passar informações privilegiadas sobre outra operação policial na comunidade”, segundo o MPRJ.

A denunciada Jenifer Aparecida, apesar de não possuir nenhum cargo público, tinha o papel estratégico de ser o elo entre os políticos e os traficantes.

“Conclui-se que, se de um lado os ora denunciados usam seus cargos públicos para atender aos interesses da organização criminosa, de outra banda se beneficiam politicamente na medida em que constroem um verdadeiro curral eleitoral, absolutamente imune à ação de adversários políticos, eis que ninguém ousa desafiar o poderio bélico estruturado na forma de aparato de guerra disponibilizado pelo tráfico local”, diz trecho da denúncia.

Em relação aos 37 traficantes denunciados por integrarem a organização liderada por Breno de Souza, a investigação apurou que, além de controlar a distribuição de drogas na região, praticando diversos outros crimes para afirmar o controle territorial, os criminosos mantinham sociedade com os operadores de um areal clandestino no interior do Complexo do Guandu. Nos diálogos judicialmente interceptados, fala-se que o lucro mensal do tráfico com essa atividade chegaria a R$ 100 mil.

As diligências de hoje irão cumprir mandados de busca e apreensão nas residências de 33 denunciados, assim como nos endereços e celas de quatro alvos já presos.

Ciberia // Agência Brasil

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