Wilson Dias / ABr

O deputado Jair Bolsonaro
O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) revelou nesta segunda-feira (27), no seminário Amarelas ao Vivo, que, se for eleito no ano que vem, seu provável ministro da Fazenda será o economista Paulo Guedes. Em tom metafórico, ele disse que já teve algumas conversas com Guedes, e que sua relação com ele por ora “é de um namoro, que pode se transformar em noivado”.
Guedes é professor de macroeconomia na Pontifícia Universidade Católica (PUC), na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), todos no Rio de Janeiro, e tem PhD pela Universidade de Chicago. Ele é conhecido por ser um crítico ferrenho à ideia de social-democracia e por ser um defensor do liberalismo puro.
O anúncio de Bolsonaro representa um aceno ao mercado financeiro e uma tentativa de se distanciar da imagem de defensor do modelo militar de estatização. Em seus sete mandatos na Câmara Federal, o deputado foi crítico do Plano Real, propôs apenas três projetos ligados a economia e já admitiu ser ignorante no assunto.
Por isso, para dirimir as críticas de ser um postulante ao maior cargo do Executivo sem saber sobre fundamentos básicos de economia, passou a divulgar o nome de seus conselheiros na área, como o pesquisador do IPEA Adolfo Sachsida, que também tem viés liberal.
Em um texto publicado no jornal O Globo no mês passado, Guedes avaliou que o “centro” da política está “vazio” e especulou sobre um segundo turno disputado entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Nós temos um gargalo que chama Câmara e Senado. Se você não tiver apoio lá, não vão chegar a lugar nenhum”, afirmou, sem detalhar como se daria a tramitação “paulatina” das mudanças nas aposentadorias.
Prestes a trocar o PSC pelo recém-criado Patriota, que lhe garantiria legenda para disputar o Planalto, Bolsonaro afirmou que pretende viabilizar sua candidatura e um possível governo sem fazer concessões a partidos políticos aliados – tarefa improvável, tanto pelas circunstâncias e a dimensão de uma campanha presidencial quanto pelas necessidades de governabilidade e a dinâmica do Congresso.
“Vou governar sem o toma lá dá cá. Você acha que o Renan Calheiros vai chegar pra mim e pedir a presidência do Banco do Nordeste? Com que cara ele iria pedir isso?”, ironizou.
Bolsonaro não respondeu quando questionado sobre possíveis nomes para candidato a vice-presidente em sua chapa. O deputado federal também voltou a defender que as mortes de suspeitos em trocas de tiros com a polícia ou decorrentes de ações policiais, os chamados autos de resistência, não sejam sequer investigados.
Indagado se não julga seu posicionamento como “radical”, Jair Bolsonaro fez uma comparação entre o combate à corrupção e o combate à criminalidade. “Você não tem que ser radical para combater a corrupção? Você não tem que ser radical para combater a criminalidade?”, perguntou.
Ciberia // GNI
Jornalismo “imparcial” é isso: reportagem com vários destaques em negrito, para chamar a atenção para o que incomoda o jornalista.
Chamam o Bolsonaro de radical, como se fosse ofensa.
Ao contrário, é firmeza de caráter, que os outros não tem.
Ele diz na cara. Os outros põem panos quentes.
Ele afirma, os outros mentem descaradamente.
Isso tudo incomoda muita gente.