Vendas de marca da filha de Donald Trump disparam após eleição do pai

Ivanka Trump tem motivos para sorrir. Não apenas é vista como uma assessora influente de seu pai, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como também está vendo florescer a sua marca de moda.

Há poucas semanas, a marca ganhou grande destaque na imprensa global após um tuíte de seu pai reclamando de uma rede de lojas que tinha desistido de vender seus produtos alegando pouca procura.

Sem mencionar cifras, Abigail Klem, coordenadora da marca, comentou recentemente à revista de moda Refinery29 que “as últimas semanas foram as melhores” da história da empresa.

E os números confirmaram sua declaração. A rede online de roupas Lyst informou que as vendas dos produtos Ivanka Trump aumentaram 346% em fevereiro na comparação com janeiro e 557% na comparação com a média do ano passado.

A porta-voz da Lyst nos Estados Unidos, Sarah Tanner disse que “ver um aumento desses em um mês é completamente inédito e nos pegou de surpresa”.

Outras lojas também apontam tendências semelhantes. Na Amazon, as vendas em fevereiro subiram 332% comparados ao mesmo período do ano anterior. Na rede de lojas de departamentos Macy’s, o acréscimo foi de 148%.

Klem acredita que as polêmicas ligadas ao presidente acabaram ajudando a empresa. As campanhas de boicote de grupos de oposição e as acusações de falta de ética feitas a funcionários da Casa Branca por terem promovido a marca não impediram seu sucesso.

Trajetória

Brenna Cammeron, correspondente da BBC News em Nova York, diz que Ivanka Trump, de 35 anos, está acostumada a estar no centro das atenções do público.

“Durante a adolescência, trabalhou como modelo; adulta, tornou-se uma bem-sucedida empresária cujo império abarca moda, mídia e autoajuda. Atribuem a ela um valor líquido de US$ 150 milhões“, acrescenta.

Além de vender roupas, sapatos, joias, bolsa e perfumes de sua marca, Ivanka escreveu livros de autoajuda e participou do programa O Aprendiz, apresentado por seu pai.

Com a chegada de Trump à Presidência, Ivanka e seu marido, Jared Kushner, se tornaram protagonistas nos bastidores políticos de Washington – o mesmo mundo que Donald Trump prometeu “drenar” como se fosse um pântano.

Kushner é visto como um poderoso assessor para temas de relações internacionais.

Ivanka é apresentada como um fator “moderador” no círculo de Trump, com voz em temas como política social – ela teria, por exemplo, levado-o a apoiar reformas que ajudassem mulheres trabalhadoras no país.

E, de certa forma, a filha do presidente vem cumprindo o papel que às vezes é atribuído às primeiras-damas, como participar de reuniões sociais com autoridades estrangeiras.

Ou seja, ela está mais perto do presidente do que qualquer outra pessoa. E ninguém duvida de sua influência política.

Mas muitos acreditavam que isto colocaria em xeque sua veia comercial.

O negócio

Ivanka se mudou para Washington no início do mandato do pai, deixando de lado a condução de seus negócios em Nova York.

Pouco depois de Trump assumir a Presidência, várias empresas de roupas, como a rede de lojas Nordstrom, anunciaram que retirariam de seus mostradores os produtos de Ivanka, argumentando baixas vendas.

Mas muitos ligavam a decisão dessas lojas a polêmicas ligadas à figura de Trump, o pai.

Após a decisão da Nordstrom, há cerca de dois meses, Trump reclamou no Twitter: “Minha filha Ivanka está sendo tratada tão injustamente pela @Nordstrom. Ela é uma ótima pessoa – sempre me levando para o lado certo! Terrível!”.

Logo em seguida, a assessora da Presidência, Kellyanne Conway, fez coro à declaração de Trump. Durante uma entrevista à rede de TV americana Fox News, Conway comentou que usava peças da marca e recomendou que telespectadores as comprassem.

Diversas organizações disseram ser inapropriada a intervenção de Conway em favor dos negócios da filha do presidente – e que seria pouco ético o presidente do país reclamar publicamente de uma empresa por ter desistido de vender roupas de sua filha.

Mas parece que toda essa discussão acabou funcionando como uma publicidade de peso.

// BBC

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