Reconstituição revela rosto de homem que habitava o Brasil há 2 mil anos

Unicap

Reconstrução do rosto do “Flautista” do Rio de Janeiro

O Museu de Arqueologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) apresentou nesta terça-feira (24) a reconstrução do rosto de um homem de aproximadamente dois mil anos.

Encontrado na década de 1980 no Sítio Furna do Estrago, no Brejo da Madre de Deus, município da região do Agreste Pernambucano, o crânio foi batizado de “Flautista”. O nome foi escolhido porque junto ao corpo foi encontrada uma flauta feita de tíbia humana.

Estudos realizados apontaram que o homem tinha aproximadamente 45 anos e pertencia a uma comunidade que não era nômade, ou seja, que se fixou por um longo período de tempo na região do agreste pernambucano.

“Essa população já era um pouco mais diferenciada porque ela permanecia neste local, ela não era mais tão nômade como os seus antepassados, então ela permaneceu nesse local por um longo período de tempo”, explicou Roberta Richard Pinto, coordenadora do Museu de Arqueologia, à Agência Sputnik.

O processo de reconstrução da face do “Flautista” demorou cerca de uma semana e meia para ser concluído. Primeiro foram tiradas diversas fotos de várias posições do crânio e depois foi necessário fazer o preenchimento do rosto.

O crânio é só a parte da caixa craniana, mas o nosso rosto é composto por tecidos moles, musculatura, gordura, etc. O designer Cícero Moraes trabalhou com as medidas que já existem de parâmetro de preenchimento de rosto. Essa técnica tem em torno de 80% de confiabilidade na reconstituição”, apontou Roberta Richard Pinto.

Moraes esteve também envolvido na reconstituição do verdadeiro rosto de D.Pedro I, uma inédita reconstituição facial feita em 3D a partir de fotografia do crânio do monarca, e na reconstrução do rosto de São Valentim.

A coordenadora do museu também contou que o “Flautista” tinha toda sua dentição, o que pode indicar que a comunidade a qual pertencia tinha um cuidado especial com os próprios corpos.

“Para a ciência como um todo a importância dessa descoberta é o reconhecimento de populações antecessoras à colonização, que pouco se sabe em registros. Ela vai ajudar a entender não só a região de Pernambuco, como também o Brasil, em termos de etnia, de desenvolvimento de etnia e troncos linguísticos”, diz Roberta Richard Pinto.

“Esse trabalho vai ajudar bastante os arqueólogos, biólogos e historiadores a trabalharem”, conclui a pesquisadora.

O próximo passo, agora, é criar um modelo físico feito a partir dessa reconstituição e que ficará exposto no museu.

Ciberia // EFE

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