Atendente “burla” regras da empresa para ajudar cliente agredida por namorado

(dv) Greg / Instagram

O jovem Greg, que ajudou cliente agredida pelo ex-namorado

Boas ações podem partir de qualquer pessoa e, dessa vez, partiu de Greg, de Goiânia, um atendente de telemarketing. O homem foi surpreendido por uma história triste e tocante.

Uma cliente queria cancelar a linha dependente em sua conta pelo fato de ser de seu ex-namorado. Ambos terminaram depois que ele começou a agredi-la, mas infelizmente, ela continuava a pagar a conta de telefone do homem.

Segundo Greg, em sua área na empresa não é proibido oferecer planos mais baratos, porém, antes disso, eles devem passar uma cascata de ofertas. Só que, nesse caso, a moça receberia uma multa se cancelasse a linha do dependente. E, como o ex não pagaria a tal multa, quem se prejudicaria mais uma vez seria ela.

“Ela contratou o plano sendo R$ 99,90 da linha dela e R$ 49,90 da linha do dependente dando um total de R$ 149,80. Cancelando o dependente ela iria pagar R$ 99,90 que era o preço da linha dela. Eu pulei a cascata de ofertas e fui direto na mais barata onde ela pagaria o total de R$ 99,80 tendo as duas linhas, sendo assim, ela estaria pagando como se fosse só a linha dela’’, revelou Greg.

Entretanto, e se a cliente estivesse, na realidade, só inventando uma história para pagar um preço mais baixo? Para o atendente, essa possibilidade só invadiu seu pensamento muito depois de já ter feito tudo para ajudá-la. Na hora, sua reação foi apenas chorar e sentir raiva do rapaz.

“O que me motivou a ter essa atitude foi a princípio o fato de eu odiar qualquer tipo de violência contra a mulher, me coloquei no lugar dela e também imaginei qual seria minha reação se fosse com alguém da minha família’’, revelou Greg.

Sem falar que, para ele, a possibilidade de ser mentira era quase nula, uma vez que ela provavelmente não aceitaria mudar o número dele para um novo como oferecido, sabendo que receberia uma taxa de R$ 20 pela mudança.

De qualquer forma, o ato de Greg há de ser levado em conta, já que não se vê ações como essa em áreas como o atendimento ao cliente. “(Eles) devem sim ouvir com atenção o problema que o cliente está tendo, se colocar no lugar dele e entender seu lado para assim saber conduzir melhor seu atendimento e solucionar o problema enfrentado pelo cliente’’, diz o rapaz.

Segundo ele, na hora que sugeriu o plano mais barato, a cliente ainda ficou receosa, mas foi só mostrar os benefícios, a comparação dos preços e tirar todas as suas dúvidas para que ela ficasse mais confortável e aceitasse a opção. Assim, a moça conseguiu se livrar de um preço absurdo para um homem que a fez sofrer, agredindo-a.

Em relação aos abusos sofridos pelas mulheres, o atendente tem uma posição bastante importante de ser compartilhada. “Mas sinceramente, me preocupa muito, porque nem sempre dá certo’’, revela.

O exemplo que ele dá é o do irmão de sua prima, Felipe Melo, sanfoneiro que tocava com alguns cantores sertanejos. Um dia, no entanto, enquanto tocava, Felipe viu uma briga na qual um homem começou a bater em uma mulher na frente de todos. De coração bom, ele interviu.

O resultado? “Ele foi esfaqueado pelo agressor, e ao tentar correr pra casa não resistiu aos ferimentos e morreu na rua. O agressor foi preso, passou uma noite na cadeia e logo foi solto, logo depois matou o dono do bar que queria vingar a morte do Felipe, e hoje ele está morando numa cidade vizinha com a mulher que estava agredindo no dia, e para a família só restou a dor da perda’’, conta.

Por isso, Greg afirma que essa é uma de suas preocupações, pois intervir pode acabar em uma tragédia. De qualquer forma, o jovem defende que essa intervenção deve ser feita com a ajuda de mais pessoas para que assim todos possam se unir contra essa violência juntos.

E falando em violência, o atendente, que se apresenta como Drag Queen, também revelou como é sua relação dentro do trabalho em detrimento de sua sexualidade. O jovem afirma que 99% dos homens no telemarketing são LGBTs. Assim, grande parte das pessoas têm a mente aberta. O preconceito, infelizmente, ainda existe partindo desde héteros até LGBTs também.

Porém, ele mesmo acabou sendo convidado pela equipe de marketing da empresa a realizar uma performance no Arraiá. “A reação das pessoas foi muito interessante, muitos pediram pra tirar fotos, outros ficaram sem reação, alguns só olharam e outros ficaram encantados com toda a montação, não recebi nenhum comentário ou reação negativa, mas sei que nem todos ali estavam completamente abertos ou preparados para isso’’, revelou.

Felizmente, Greg consegue realizar seu trabalho normalmente e, como se pode perceber, de uma maneira simplesmente maravilhosa, pronto para ouvir a tudo e todos, independente do problema.

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