Brasileiros protestam no exterior contra Bolsonaro e gestão da epidemia

Marcelo Camargo / ABr

Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de várias capitais brasileiras neste sábado para protestar contra o presidente Jair Bolsonaro e sua gestão da pandemia, que já deixou mais de meio milhão de mortos no país. Brasileiros no exterior também manifestaram em várias cidades no mundo.

Na França, a chuva que caiu em Paris na tarde de sábado e os rígidos protocolos sanitários não desanimaram os brasileiros que vivem na capital francesa.

A manifestação foi convocada na Praça Stalingrad, no norte da cidade, que já foi palco do protesto “Ele não” que reuniu milhares de pessoas às vésperas das eleições presidenciais de 2018. Um grupo de manifestantes realizou uma performance com uma bandeira brasileira.

Com os nomes de pessoas que morreram de Covid-19 no Brasil e os dizeres “Vida ou Bolsonaro” substituindo “Ordem e progresso”, os manifestantes mancharam a bandeira com tinta vermelha, para representar o “sangue das vítimas do genocídio”.

Outras cidades europeias como Londres, Lisboa, Dublin, Berlim ou Amsterdã também tiveram protestos contra o presidente brasileiro.

Na capital inglesa, a torre de Londres exibiu os dizeres “Cadeia” e “The Hague” (Tribunal Penal Internacional para Bolsonaro).

Em Berlim, atos contra o presidente brasileiro também foram realizados em frente ao Portão de Brandenburgo:

Protestos também aconteceram em Toulouse, no sul da França. Em Amsterdã, o ato aconteceu em frente ao obelisco, um dos principais monumentos da cidade.

Manifestações também foram registradas em Nova York. E nas ruas de Vancouver, no Canadá.

Até mesmo no Japão houve manifestações.

Para a Fiocruz, o Brasil enfrenta um quadro “crítico”, com “um platô elevado de transmissão da Covid-19, com a possibilidade de agravamento nas próximas semanas, com a chegada do inverno”.

O nível de ocupação dos leitos nas unidades de terapia intensiva (UTI) supera os 80% em 19 dos 27 estados do país e 90% em oito deles, detalhou a Fiocruz.

A pressão sobre o sistema de saúde evoca as imagens horríveis registradas no início do ano em Manaus, no Amazonas, onde dezenas de pessoas morreram asfixiadas por falta de oxigênio medicinal nos hospitais.

No entanto, a vida parece quase normal nas grandes cidades, com restaurantes e comércios abertos e muitas pessoas sem máscaras nas ruas.

A campanha de vacinação, iniciada em meados de janeiro, sofreu uma série de interrupções por falta de insumos, mas quantidades importantes de lotes chegaram nos últimos dias, permitindo acelerar a imunização em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

Ainda assim, apenas 29% da população recebeu a primeira dose da vacina e 11,36%, a segunda, segundo dados oficiais.

Copa Covid

Bolsonaro se opõe às medidas de confinamento, questiona a eficácia das vacinas e a utilidade das máscaras e promove medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid.

“Enquanto eu for presidente, enquanto tiver um líder no Paralmento também, vamos lutar para que o cidadão de bem tenha armas e seja desobrigado a usar mascara”, declarou Bolsonaro na quinta-feira, em seu programa semanal transmitido ao vivo.

Essa postura o levou a acolher no Brasil este mês a Copa América, que havia sido rejeitada pela Colômbia devido a seus conflitos sociais e pela Argentina por causa da pandemia.

O presidente participou recentemente de várias motociatas e manifestações, de olho nas eleições de outubro de 2022. A oposição mobilizou hoje, pela segunda vez em menos de um mês, dezenas de milhares de pessoas em centenas de cidades do país, para denunciar a gestão da pandemia pelo governo.

// RFI

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