Busto de Tutancâmon é leiloado por US$ 6 milhões em Londres, apesar de protestos do Cairo

Um busto de 3 mil anos, que representa o jovem faraó egípcio Tutancâmon, foi leiloado nesta quinta-feira (4) em Londres por US$ 6 milhões. A venda foi marcada por protestos da parte do Cairo, que pede a devolução da relíquia.

A casa de leilões Christie’s não forneceu nenhuma informação sobre o comprador do busto de Tutancâmon. Mas antes mesmo da última batida de martelo, os protestos começaram.

A embaixada do Egito no Reino Unido lamentou a venda do busto, “sem garantir (a obtenção) de documentos” necessários. Os ministérios egípcios das Relações Exteriores e das Antiguidades também lamentaram em um comunicado que a Christie’s tenha organizado uma venda de objetos, apesar das “legítimas reclamações egípcias das últimas semanas”, relativas, entre outras coisas, à obtenção de certificados de aquisição das obras.

Dezenas de manifestantes se reuniram diante da sala de leilões em Londres carregando cartazes nos quais diziam que “a história do Egito não está à venda”. Há anos o Cairo reivindica a restituição de obras de arte descobertas e levadas para o Ocidente por arqueólogos e aventureiros, e o busto faz parte dessas peças.

Menino faraó

Coroado por volta do ano 1333 a.C., Tutancâmon é o faraó egípcio mais famoso da História devido à incrível descoberta de sua tumba, intacta, no Vale dos Reis em 1922 pelo arqueólogo britânico Howard Carter e seu rico mecenas Lord Carnarvon. Filho do faraó Akhenaton, marido da lendária rainha Nefertiti, o “menino faraó” chegou ao poder aos nove anos de idade e morreu dez anos depois de malária combinada com uma doença óssea.

O busto em litígio, constituído por uma cabeça em quartzito, de 28,5 centímetros de altura, faz parte da Coleção Resandro, uma das coleções privadas mais renomadas do mundo, e foi exposto em várias ocasiões nos últimos anos, ressalta a Christie’s.

A escultura foi comprada em 1985 de Heinz Herzer, um vendedor com sede em Munique. Anteriormente estava nas mãos de Joseph Messina, um austríaco, que a havia adquirido por volta de 1973-1974 do príncipe Wilhelm von Thurn und Taxis, que a teria tido em seu poder desde os anos 1960.

Proprietários teriam fornecido informações falsas

Mas o arqueólogo egípcio e ex-ministro das Antiguidades Zahi Hawass considera que a obra saiu de seu país nos anos 1970 “porque nessa época outros objetos antigos da mesma natureza foram roubados do Templo de Karnak”, em Luxor.

“A Christie’s não sabe nos dizer quando foi roubado” e “os proprietários forneceram informações falsas”, afirmou, depois que o executivo do Cairo pediu, em junho, que a casa de leilões cancelasse a venda desta peça e de outros objetos do antigo Egito.

A polêmica se enquadra em um debate de longa data sobre o retorno das obras de arte a seus países de origem, como ilustrado na questão dos frisos do Partenon conservados no Museu Britânico de Londres e reivindicados por Atenas durante décadas.

O Chile também negocia há meses com este museu para recuperar, talvez como empréstimo a longo prazo, o moai Hoa Hakananai’a, o de maior valor espiritual para a Ilha de Páscoa, situada no Pacífico sul.

// RFI

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