Explosão traumática foi a causa do apagão recente da estrela supergigante Betelgeuse

ALMA (ESO/NAOJ/ NRAO) / E. O'Gorman / P. Kervella

Imagem real da estrela Betelgeuse

Ela não estava para entrar em supernova, para se apagar e não haviam megaestruturas alienígenas ao seu redor: observações da gigantesca estrela Betelgeuse descobriram que o seu misterioso escurecimento foi possivelmente causado por uma emissão de gases quentes e densos que resfriaram em seguida.

Após cuspir material a 322 mil km/h no fim do ano passado ela começou a perder significativamente seu brilho na região do hemisfério sul. Em fevereiro deste ano 2/3 de seu brilho haviam desaparecido, até mesmo a olho nu. Haviam hipóteses de que a estrela poderia estar se tornando uma supernova.

Betelgeuse é uma estrela supergigante vermelha com 12 vezes a massa, 10 vezes o tamanho do sol e o nono objeto mais brilhante do céu noturno. É a segunda estrela mais brilhante da constelação de Orion.

“Com o Hubble, observamos anteriormente células de convecção quente na superfície de Betelgeuse e no outono de 2019 descobrimos uma grande quantidade de gás quente e denso movendo-se para fora da atmosfera estendida de Betelgeuse. Acreditamos que esse gás resfriou a milhões de km fora da estrela para formar a poeira que bloqueou a parte sul da estrela fotografada em janeiro e fevereiro.”

“O material ejetado era duas a quatro vezes mais luminoso do que o brilho normal da estrela. E então, cerca de um mês depois, a parte sul de Betelgeuse enfraqueceu visivelmente à medida que a estrela ficava mais fraca. Acreditamos ser possível que uma nuvem escura resultou do fluxo de saída que o Hubble detectou. Apenas o Hubble nos dá essa evidência que levou ao escurecimento”, afirmou Andrea Dupree, do Center for Astrophysics Harvard & Smithsonian, principal autora da pesquisa.

A estrela Betelgeuse também surpreendeu pois o plasma não foi emitido como é previsto pelas teorias estelares (pelos pólos dos eixos de rotação). “As observações do Hubble sugerem que o material pode ter sido expulso de qualquer parte da superfície estelar”, afirmou Dupree, incluindo que o comportamento da Betelgeuse não era comum para esta estrela.

Betelgeuse, segundo a cientista, tem perdido massa numa velocidade 30 milhões de vezes mais rápida que o Sol, mas a ejeção recente teria eliminado o dobro do que o hemisfério sul inteiro deveria ter emitido.

“Todas as estrelas estão perdendo material para o meio interestelar, e não sabemos como esse material é perdido. É um vento suave soprando o tempo todo? Ou vem aos trancos e barrancos? Talvez com um evento como o que descobrimos em Betelgeuse? Sabemos que outras estrelas luminosas mais quentes perdem material e rapidamente se transforma em pó, fazendo com que a estrela pareça muito mais fraca. Mas em mais de um século e meio, isso não aconteceu com Betelgeuse. É muito original.”

Recentemente, ao observar o brilho da supergigante foi revelada outra surpresa: mais escurecimento inesperado. Desde o fim de junho a início de agosto 2020, o Solar TErrestrial RElations Observatory—STEREO, da Nasa, observou a Betelgeuse em cinco dias distintos, medindo o brilho da estrela.

“Nossas observações de Betelgeuse com STEREO confirmam que a estrela está escurecendo novamente. Betelgeuse normalmente passa por ciclos de brilho que duram cerca de 420 dias e, como o brilho mínimo anterior foi em fev/2020, esse novo escurecimento chegou mais de um ano antes do previsto”, afirmou Dupree, que pretende olhar para Betelgeuse com o STEREO em 2021, durante o brilho máximo da estrela, para observar explosões inesperadas.

Os resultados da pesquisa foram publicados nesta quinta-feira no The Astrophysical Journal. As medições do STEREO estão no The Astronomer’s Telegram desde 28 de julho.

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