Fundação Renova define critérios para manejo de rejeitos da tragédia de Mariana

Rogério Alves / TV Senado

Distrito de Bento Rodrigues, Município de Mariana, Minas Gerais, alguns dias após rompimento da barragem da Mineradora Samarco

Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais, alguns dias após rompimento da barragem da Mineradora Samarco

A Fundação Renova, criada pela mineradora Samarco para gerir as ações de reparação dos danos causados pela tragédia de Mariana (MG), terminou ontem (13) a série de discussões para elaborar o plano de manejo dos rejeitos espalhados na região da bacia do Rio Doce.

A área afetada pela lama foi dividida em 14 trechos e foram estabelecidos critérios para cada um deles. Em algumas partes, os sedimentos serão retirados e em outras não.

O plano de manejo deve ser entregue na próxima segunda-feira (20) ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) e ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (Iema).

Com a aprovação dos órgãos ambientais, será feito um plano de ação estabelecendo um cronograma para os trabalhos.

A tragédia de Mariana ocorreu em 5 de novembro de 2015, quando o rompimento da Barragem de Fundão levou devastação à vegetação nativa e poluição à bacia do Rio Doce. Dezenove pessoas morreram e comunidades foram destruídas.

O episódio é considerado a maior tragédia ambiental do país. Segundo a Fundação Renova, 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos escaparam dos limites do complexo minerário da Samarco. Desses, 20 milhões estão depositados entre a barragem e a Usina de Candonga, em Santa Cruz do Escalvado (MG).

O plano de manejo foi elaborado com o auxílio de especialistas de várias áreas de conhecimento.

“Nós optamos por uma construção coletiva. São mais de 80 pessoas envolvidas, de 30 instituições. Estamos falando de universidades federais, órgãos de pesquisa, consultorias e poder público”, diz Juliana Bedoya, líder de programas socioambientais da Fundação Renova.

A divisão dos 14 trechos foi feita com base na situação dos cursos d’água, da fauna, da flora e da biodiversidade. Também foram identificados oito tipos de deposição dos rejeitos, definidos a partir da espessura da camada de sedimentos e da composição do solo original.

Com base nestas características, o plano aponta locais onde é recomendada a remoção, que pode ocorrer por meio da dragagem com equipamentos mecânicos ou até de forma manual.

“Temos por exemplo o caso do distrito de Bento Rodrigues, que é muito sensível e não nos dá condições de entrarmos com equipamentos. É uma região com características específicas e tem ainda a preocupação com o patrimônio histórico. Então a gente precisa tratar de forma diferenciada”, explica Juliana.

Há locais, porém, em que o plano não recomenda a remoção da lama e sim trabalhos para recuperação ambiental. Segundo o documento, retirar os rejeitos poderia gerar danos maiores e também impactos secundários em novas áreas.

Alguns terrenos agricultáveis se enquadram neste cenário. Um dos especialistas convidados, Carlos Ernesto Schaefer, pesquisador de pedologia e morfologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), defendia que o rejeito localizado em terras produtivas fosse coberto com o solo do próprio entorno, evitando novos impactos e possibilitando que o agricultor tivesse de imediato a chance de voltar a produzir.

Segundo Juliana Bedoya, esta é uma possibilidade, mas ficou acordado que a opinião dos proprietários precisará ser levada em conta.

Acordo

O manejo dos rejeitos espalhados pela tragédia é uma das obrigações assumidas pela Samarco e suas acionistas Vale e BHP Billiton no acordo assinado com o governo federal e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Embora este acordo tenha sido contestado pelo Ministério Público Federal (MPF) e ainda não tenha validade judicial, as partes signatárias alegam estarem cumprindo o combinado.

Como desdobramento do acordo, a Fundação Renova já havia protocolado nos órgãos ambientais um ofício assumindo o compromisso de retirar pelo menos 11 milhões de metros cúbicos de lama. No município de Barra Longa (MG), foram recolhidos 170 mil metros cúbicos.

Além disso, está em curso uma dragagem na Usina de Candonga, onde serão retirados 10 milhões de metros cúbicos. Mais 1 milhão de metros cúbicos também serão removidos do distrito de Bento Rodrigues. Nas demais áreas afetadas, a retirada deverá seguir os critérios do plano de manejo.

COMPARTILHAR

DEIXE UM COMENTÁRIO:

George W. Bush: o suposto plano para matar ex-presidente dos EUA desbaratado pelo FBI

Um simpatizante do Estado Islâmico planejava assassinar o ex-presidente dos EUA George W. Bush, mas o plano foi descoberto pelo FBI (polícia federal americana), segundo autoridades dos Estados Unidos. O suspeito, um residente de Ohio, supostamente …

O que se sabe sobre misterioso surto de varíola dos macacos

Casos recentes da doença na América do Norte e Europa acenderam o alerta entre especialistas. Endêmico na África, vírus é transmitido por animais contaminados e por contato próximo prolongado entre pessoas. Autoridades de saúde na América …

EUA: Estudo traz primeiros resultados 'promissores' de vacina de RNA mensageiro contra Aids

Uma vacina usando a tecnologia de RNA mensageiro, a mesma que algumas vacinas contra a Covid-19, pode ser usada desta vez contra a Aids. É o que mostram os primeiros resultados promissores de testes …

Viagem de Lula à Argentina visa fortalecer governo de Fernández e teoria de lawfare contra Kirchner

O ex-presidente Lula será o primeiro estrangeiro a discursar diante de uma multidão na Praça de Maio, em Buenos Aires, em um ato destinado a renovar o vínculo do governo argentino com o seu …

Após EUA, vários países se mobilizam em boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim

Reino Unido, Austrália, Canadá, Nova Zelândia seguiram os passos dos Estados Unidos e anunciaram que também vão participar do “boicote diplomático” aos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, previstos para fevereiro. Os países acusam …

Musk anuncia que Neuralink testará microchips neuronais em humanos em 2022

O bilionário e empreendedor norte-americano referiu que já testou com sucesso um implante cerebral em um macaco, e quer agora que essa tecnologia seja aplicada em humanos. Os humanos poderão ter implantes cerebrais da empresa Neuralink …

Cientistas americanos encontram substância contra coronavírus em algas para sushi

Biólogos americanos esperam que sua descoberta ajude na criação de tratamentos antivírus com base em plantas. Os cientistas determinaram que o sulfato de rhamnan – polissacarídeo componente das algas verdes Monostroma nitidum, utilizadas para embrulhar o …

Mulheres comandam metade dos ministérios no governo Scholz

Futuro chanceler confirma nomes finais do seu governo, que deverá começar os trabalhos ainda esta semana. Percentual de mulheres no comando de ministérios federais é o maior da história da Alemanha. O próximo chanceler federal da …

Biden e Putin fazem videoconferência para tentar resolver impasse na Ucrânia

Joe Biden e Vladimir Putin se preparam para uma vídeoconferência nesta terça-feira (7) em um momento em que as tensões entre Washington e Moscou se intensificam com rumores de uma iminente invasão da Ucrânia …

Aung San Suu Kyi é condenada a 4 anos de prisão

Líder deposta por golpe militar em Mianmar enfrenta série de acusações que a Anistia Internacional chama de falsas. Novo veredicto deve sair nos próximos dias. A líder deposta de Mianmar, Aung San Suu Kyi, foi condenada …