Maioria do STF vota pela criminalização da homofobia

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta quinta-feira (23/05) a favor de enquadrar a homofobia e a transfobia como crimes de racismo. Seis dos 11 ministros votaram pela criminalização. O julgamento, contudo, foi suspenso e será retomado em junho.

O STF começou a julgar o tema em fevereiro, quando quatro ministros votaram a favor de criminalizar a LGBTfobia: Celso de Mello, Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. O julgamento foi retomado nesta quinta, com os votos dos ministros Rosa Weber e Luiz Fux, que formaram a maioria no plenário.

Weber defendeu seu voto lembrando a violência que pessoas LGBT enfrentam diariamente. Fux também destacou que agressões contra homossexuais e transgêneros não são fatos isolados. “A homofobia se generalizou, muito embora, quando o STF julgou a união homoafetiva, as cenas de violência explícita homofóbicas diminuíram”, opinou o ministro.

A Corte analisa ações de autoria do PPS e da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT), que pedem para que as práticas de homofobia e transfobia sejam equiparadas ao crime de racismo enquanto o Congresso não aprova uma lei nesse sentido.

Em seus votos, tanto Weber quanto Fux concordaram com a tese de morosidade dos parlamentares, que também analisam uma proposta sobre o tema. Segundo a ministra, a Constituição obrigou o Congresso a aprovar medidas para punir comportamentos discriminatórios, que inclui as condutas direcionadas à comunidade LGBT.

“Entendo que o direito à própria individualidade, identidades sexual e de gênero, é um dos elementos constitutivos da pessoa humana. O descumprimento de tal comando pelo Legislativo, não obstante transcorridas três décadas desde a promulgação da lei fundamental, abre a via da ação por omissão, prevista na Constituição e que visa suprir vazio legislativo”, disse a ministra.

O julgamento no STF foi retomado um dia depois de a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovar um projeto de lei que criminaliza a discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero. O texto precisa passar por mais uma votação na CCJ.

Mesmo com o avanço da pauta no Congresso, os ministros do Supremo decidiram, na abertura da sessão desta quinta-feira, continuar o julgamento na Corte.

A votação será retomada em 5 de junho no STF. Ainda faltam os votos de cinco ministros: Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio e Dias Toffoli.

As ações analisadas pedem que sejam tornadas crimes todas as formas de ofensas, sejam individuais ou coletivas, homicídios, agressões e discriminações que tenham sido motivados pela orientação sexual ou identidade de gênero da vítima. A conduta é inafiançável e imprescritível, e a pena varia entre um e cinco anos de reclusão, de acordo com o crime.

COMPARTILHAR

DEIXE UM COMENTÁRIO:

Como brasileiros driblam a alta dos preços dos alimentos

Inflação mudou os itens nos carrinhos de supermercado e chegou a afetar a popularidade de Lula. Famílias de diferentes bairros de São Paulo contam sobre sua forma de lidar com a situação. "Driblar os preços." É …

Como Alzheimer deixou ator Gene Hackman sozinho em seus últimos dias: 'Era como se vivesse em um filme que se repetia'

O ator Gene Hackman estava sozinho em sua casa, na cidade de Santa Fé, Novo México, nos EUA, quando faleceu. A estrela de Hollywood, com duas estatuetas do Oscar, não fez uma única ligação e não …

Fenômeno misterioso no centro de galáxia pode revelar nova matéria escura

Pesquisadores do King's College London apontaram, em um novo estudo, que um fenômeno misterioso no centro da nossa galáxia pode ser o resultado de um tipo diferente de matéria escura. A matéria escura é um dos …

ONU caminha para 80 anos focando em reformas e modernização

O líder das Nações Unidas, António Guterres, anunciou o lançamento da iniciativa ONU 80 que quer atualizar a organização para o século 21. Na manhã desta quarta-feira, ele falou a jornalistas na sede da ONU que …

Premiê português cai após denúncia de conflito de interesses

Luís Montenegro perdeu voto de confiança no Parlamento, abrindo caminho para novas eleições. Denúncia envolve pagamentos de uma operadora de cassinos a empresa de consultoria fundada por político. O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, e sua …

Como a poluição do ar em casa afeta a saúde e piora doenças respiratórias

Um levantamento feito em 2024 pela associação Santé Respiratoire France, a pedido da empresa francesa Murprotec, uma das maiores do setor, mostrou que a poluição em ambientes fechados é até nove vezes maior do …

1ª mulher presidente no STM: “Se chegarem denúncias sobre o 8 de janeiro, vamos julgá-las”

Em entrevista à Agência Pública, Maria Elizabeth Rocha, fala de golpe, Justiça Militar e extremismo nas Forças Armadas. O caminho da ministra do Superior Tribunal Militar (STM) Maria Elizabeth Rocha até a presidência da Corte, no …

Fim do Skype: veja 7 apps para fazer chamadas de vídeo

A Microsoft anunciou que o Skype será desativado em 5 de maio de 2025, depois de mais de 20 anos de serviço. Depois do encerramento da plataforma, os usuários poderão migrar para o Microsoft Teams …

O que aconteceu nos países que não fizeram lockdown na pandemia de covid

Em março de 2020, bilhões de pessoas olhavam pelas janelas para um mundo que não reconheciam mais. De repente, confinadas em suas casas, suas vidas haviam se reduzido abruptamente a quatro paredes e telas de …

Iniciativa oferece 3,1 mil bolsas para mulheres em programação e dados

Confederações de bancários e Febraban anunciaram vagas em três cursos. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e as confederações de bancários – como a Contraf e o Contec – anunciaram nesta terça-feira (11) a oferta …