Morre Toni Morrison, primeira mulher negra a ganhar um Nobel de literatura

“Apesar de sua morte representar uma tremenda perda, estamos gratos por ela ter tido uma vida longa e bem vivida”, afirmou a família de Toni Morrison, 88 anos, a primeira afro-americana a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Ela morreu após uma breve doença, informou a família em um comunicado divulgado nesta terça-feira (6).

O comunicado diz que a escritora, prêmio Pulitzer de ficção em 1988, pelo romance “Amada”, morreu após uma curta doença, sem mais detalhes. Outros livros conhecidos de Toni Morrison incluem “Jazz”, sequência de “Amada”, e “Paraíso”.

Acadêmica brilhante, Morrison escreveu 11 romances em seis décadas, além de ensaios, livros para crianças, duas peças de teatro e até um livreto de ópera. No ensaio “Playing in the Dark” (Brincando no Escuro), ela destrincha o papel do escravo, em contraste com o do branco, na construção da identidade americana. Ela ressalta que na ficção americana, os negros durante muito tempo serviram de trampolim para colocar em valor o herói branco.

Morrison ficou conhecida por dar visibilidade literária aos negros. Ela explorou a história dos afro-americanos, desde a escravidão até chegar à emancipação na sociedade atual.

Segundo o comitê da Academia Sueca, o prêmio Nobel foi dado a Morrison, uma escritora “que, em romances caracterizados por força visionária e teor poético, dá vida a um aspecto essencial da realidade americana”.

Chloé Anthony Wofford nasceu em 18 de fevereiro de 1931, em Lorain, perto de Cleveland, Ohio, em plena Grande Depressão. Wofford era o sobrenome do fazendeiro branco proprietário de seus avós escravos. Criada em um meio humilde, mas multicultural, ela afirma que nunca teve consciência da segregação até ir estudar, em 1949, na Universidade Howard, conhecida como a “Harvard negra”, em Washington.

Ela continuou seus estudos na Universidade de Cornell, onde apresentou uma tese sobre os suicídios de William Faulkner e Virginia Woolf.

Durante o período de luta pelos direitos cívicos, ela se tornou editora na Random House e militou pela causa negra, publicando as biografias de Mohammed Ali e Angela Davis.

Em 1970, ela publica “O Olho mais Azul”, sobre uma adolescente negra que sonha com bonecas de olhos azuis e que se perde na loucura após ficar grávida de seu pai adotivo. Na época, o livro vendeu apenas 700 cópias. Mas sua antologia de autores negros “O Livro Negro” (1974), tornou-se uma referência.

Em 2015, ela publicou seu último romance, o décimo primeiro, “Deus Ajude Essa Criança”. Em 2006, Toni Morrison veio ao Brasil, onde participou da 4ª Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip.

// RFI

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