“O Grito” teria sido inspirado por um raro fenômeno atmosférico

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"O Grito" (1893), de Edvard Munch

“O Grito” (1893), de Edvard Munch

O céu de cores intensas, que podemos contemplar no famoso quadro de Edvard Munch, não seria apenas um símbolo da angústia que atormenta o protagonista da obra criada em 1893 pelo pintor norueguês. De acordo com uma nova pesquisa, seria também a reprodução de um raro fenômeno atmosférico.

Segundo uma nova teoria de uma equipe de pesquisadores noruegueses, as linhas amarelas, laranjas e vermelhas no quadro “O Grito” são provavelmente a reprodução de um tipo raro de nuvem que raramente aparece no norte da Europa, escreve a BBC.

As nuvens estratosféricas polares teriam gerado um grande impacto em quem as tivesse visto pela primeira vez, o que poderia ter acontecido a Edvard Munch, garantem os cientistas.

“Hoje em dia, o público tem à disposição muito mais informações científicas do que naquela época, e Munch com certeza nunca tinha visto estas nuvens”, explica Helene Muri, pesquisadora da Universidade de Oslo, na Noruega, que apresentou o estudo na última edição do congresso anual do Sindicato de Geociência Europeia, em Viena, na Áustria.

Por exemplo, Muri vive em Oslo há 25 anos e só conseguiu ver este tipo de nuvem uma única vez. “Como artista, não há dúvidas de que poderiam ter deixado Munch impressionado”, explica.

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Nuvens estratosféricas polares

Nuvens estratosféricas polares

Erupção

A imagem do céu no quadro do pintor norueguês tinha sido atribuída anteriormente aos efeitos de uma forte erupção do vulcão Krakatoa, na Indonésia, ocorrida nove anos antes de Munch criar a obra.

Foi uma das maiores erupções registradas na história e os gases e as cinzas que emitiu atravessaram o mundo. Combinados com a luz solar, geraram efeitos ópticos incomuns e proporcionaram fins de tarde de uma beleza excepcional.

No entanto, os pesquisadores argumentam que as formas de onda pintadas por Munch assemelham-se muito mais às nuvens estratosféricas polares do tipo 2.

Estas nuvens são produzidas em regiões com altos graus de umidade a altitudes de 15 a 20 quilômetros, quando as temperaturas se encontram entre –80ºC e –85ºC.

A corrente atmosférica sobre as montanhas também contribui para a formação destas nuvens, porque leva umidade da troposfera para a estratosfera. E essas gotas de umidade se transformam em cristais minúsculos com o frio.

“Estas nuvens são muito finas e são melhor observadas antes do amanhecer ou depois do entardecer, quando o Sol está abaixo do horizonte. Essas cores únicas são criadas pela combinação da dispersão, a difração e refração da luz solar através dos pequenos cristais de gelo”, destacou Muri.

// ZAP

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