O que dizem cientistas sobre isenção de máscaras para vacinados nos EUA

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (13/05) o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção na maioria das situações para pessoas que já foram completamente vacinadas contra a covid-19.

Segundo a nova orientação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), vacinados não precisam mais usar máscaras tanto em ambientes externos como em grande parte dos ambientes internos. Vacinados, porém, devem continuar usando máscaras em determinados ambientes fechados, como ônibus, aviões, aeroportos, consultórios médicos e hospitais.

A nova orientação é vista como um primeiro passo em direção à normalidade no país. O presidente Joe Biden comemorou a flexibilização e afirmou que a mudança das recomendações representou um grande dia para o país. “Seja vacinado ou use máscara até que você seja”, disse.

A diretora do CDC, Rochelle Walensky, afirmou que a medida é resultado de uma queda acentuada nos casos de covid-19, que recuaram em cerca de um terço nas últimas duas semanas, e de uma maior oferta de doses de vacinas. Atualmente, o país registra em média 38 mil novos casos por dia. Em meados de janeiro, um pico de 250 mil infecções diárias havia sido alcançado.

Incentivo à vacinação

Os EUA consideram totalmente vacinadas pessoas que receberam há mais de duas semanas a última dose de vacina contra a covid-19 recomendada. Das três vacinas em uso no país, duas – as da Pfizer-Biontech e da Moderna – requerem duas doses, e a outra – da Johnson & Johnson –, apenas uma.

Até agora, pouco mais de um terço da população americana já está totalmente vacinada, mas o ritmo da imunização vem diminuindo: cerca de 2 milhões de doses vêm sendo aplicadas por dia, cerca de 40% menos que o pico de 3,4 milhões alcançado em meados de abril.

Antes mesmo do anúncio do CDC, especialistas já haviam se manifestando a favor de uma flexibilização da obrigatoriedade de máscaras, afirmando que tal medida poderia reforçar os benefícios da imunização e encorajar mais pessoas a se vacinarem num momento em que a oferta está superando a demanda em muitas regiões.

Ao mesmo tempo, autoridades sanitárias de localidades onde a maioria da população ainda não foi vacinada expressaram temores de que as restrições estejam sendo levantadas cedo demais e questionaram como será possível controlar quem já foi completamente vacinado.

Baixa probabilidade de transmissão

Inicialmente, autoridades de saúde pública foram cautelosas quanto à capacidade das vacinas contra a covid-19 de interromper a transmissão do coronavírus. Para justificar a flexibilização da obrigatoriedade de máscaras para vacinados, o CDC apontou que dados recentes dos EUA e de Israel mostraram que vacinas têm eficácia superior a 90% para evitar casos leves e graves, hospitalizações e mortes em decorrência da covid-19 em condições do “mundo real”.

Monica Gandhi, médica e professora de doenças infecciosas da Universidade da Califórnia, também ressaltou que dados do “mundo real” vêm mostrando que, como muitos imunologistas esperavam, as vacinas são extremamente eficazes na prevenção de infecções assintomáticas.

Um desses estudos foi realizado com profissionais da saúde em Israel e apontou que a vacina da Pfizer-Biontech foi 97% eficaz para evitar infecções sintomáticas e 86% eficaz para evitar as assintomáticas.

Além disso, a incidência de casos entre vacinados é muito baixa. De acordo com dados reportados ao CDC em 26 de abril, cerca de 9 mil pessoas entre 95 milhões (0,009%) foram infectadas apesar de estarem totalmente vacinadas. A taxa de hospitalizações e mortes foi de 0,0009% e 0,0001%, respectivamente.

Mesmo quando um vacinado é infectada, novas pesquisas israelenses mostraram que as cargas virais dentro do nariz do indivíduo são muito baixas, provavelmente não transmissíveis.

“Há uma probabilidade infinitesimalmente baixa de quem já foi vacinado ter uma infecção que possa ser detectada em um teste PCR, e menor ainda de poder transmiti-la para alguém”, apontou Vinay Prasad, epidemiologista e bioestatístico da Universidade da Califórnia.

“Vacinados têm muito menos probabilidade de transmitir do que antes temíamos que tivessem, e eles também estão protegidos”, afirmou Angela Rasmussen, virologista da Organização Vacina e Infecções Infeciosas, do Canadá, citada pelo jornal The New York Times.

“Sociedade mais mascarada”

Segundo Walensky, diretora do CDC, se vacinados apresentarem sintomas da covid-19, devem imediatamente voltar a usar máscaras.

Gandhi e outros especialistas preveem que o uso de máscaras continuará sendo uma escolha pessoal, e ainda pode ser indicado para idosos que têm comorbidades.

Amesh Adalja, que trabalha em política pandêmica no Centro de Segurança Sanitária da Universidade Johns Hopkins, disse que mesmo após a pandemia, o uso de máscara pode se tornar sazonal. “Os Estados Unidos serão uma sociedade mais mascarada, especialmente durante a temporada da gripe no transporte público e em áreas fechadas.”
No Brasil

O uso de máscara não é oficialmente recomendado pelo governo federal no Brasil, mas vários estados e municípios adoram regras nesse sentido. Médicos indicam o uso também para quem foi vacinado.

Segundo levantamento realizado pela imprensa brasileira junto a secretárias de saúde, apenas 8,88% da população do país receberam duas doses de vacina contra a covid-19. Os três imunizantes atualmente em uso no Brasil – Coronavac, Astrazeneca-Oxford e Pfizer-Biontech – requerem duas doses.

A vacina da Pfizer – cuja alta eficácia também já foi demonstrada em estudos do “mundo real” em Israel e nos EUA – começou a ser aplicada no Brasil apenas no início de maio.

Um estudo preliminar da Universidade de Edimburgo mostrou que quatro semanas após a aplicação da primeira dose da AstraZeneca em adultos na Escócia, o risco de ter que ser internado devido à covid-19 caiu 94%.

Nesta semana, novos dados da Indonésia apontaram que a Coronavac foi 98% eficaz na prevenção de mortes e 96% eficaz na prevenção de hospitalizações sete dias após a aplicação da segunda dose em profissionais da saúde. Segundo o Ministério da Saúde do país, o risco de infecções sintomáticas caiu 94% entre os completamente vacinados – número bem superior ao demonstrado em ensaios clínicos.

Ciberia // Deutsche Welle

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