Omeprazol aumenta risco de câncer de estômago

(CC0/PD) HansMartinPaul-Photos / pixabay

O principal medicamento para tratar refluxo, azia e úlceras está ligado a um aumento de 250% de casos de câncer de estômago, segundo estudo da Universidade College London (Reino Unido).

Estes resultados, apresentados em um artigo publicado essa segunda-feira (30) na revista Gut, foram observados entre pacientes que usaram inibidor da bomba de prótons, também conhecido como Omeprazol, por mais de três anos.

É importante alertar, porém, que este estudo é apenas de observação e que mais estudos precisam ser feitos. O número de pessoas que desenvolveram câncer de estômago não é tão grande quando comparado ao total de pessoas acompanhadas no estudo, por isso um aumento de 250% pode não ser tão assustador quanto parece inicialmente.

No estudo, pesquisadores analisaram dados de residentes de Hong Kong, identificando 63.397 adultos tratados com uma combinação de inibidores e antibióticos para tratar uma infecção estomacal de Helicobacter pylori.

Mais da metade da população mundial tem esta bactéria, que normalmente não causa problemas. Mas em uma pequena porcentagem de pessoas, ela está relacionada ao câncer de estômago. Assim que a bactéria foi erradicada, os pacientes foram monitorados por uma média de 7,5 anos.

Neste período, 3.271 pessoas continuaram a tomar os inibidores por uma média de três anos, enquanto 21.729 usaram um medicamento alternativo, o anti-histamínico H2, que costumava ser o medicamento mais usado para tratar problemas estomacais entre as décadas de 1970 e 1990.

Entre as pessoas que foram acompanhadas, 153 tiveram câncer de estômago, sendo que pacientes que usaram o inibidor tiveram 2,44 vezes mais chance de ter o câncer quando comparado com os pacientes que usaram o anti-histamínico H2.

A frequência do uso do inibidor e a duração do tratamento influenciaram o número de casos de câncer. O uso diário do inibidor está associado a 4,55 vezes mais risco de câncer, e quando era utilizado por mais de três anos este risco aumentava oito vezes.

O anti-histamínico H2 foi substituído pelo inibidor de bomba de prótons na década de 1990 porque causa muitos efeitos colaterais, como bradicardia, hipotensão, confusão e ansiedade, além das grandes interações com outros medicamentos.

Por isso, o H2 é utilizado apenas em pacientes que não respondem ao tratamento com inibidor ou que são intolerantes ao efeitos colaterais do remédio mais moderno.

Mesmo assim, este estudo com os pacientes de Hong Kong é importante para chamar atenção de outros pesquisadores para a necessidade de maior investigação dos efeitos colaterais dos inibidores. Outros estudos de observação também mostraram que o medicamento provavelmente não deve ser usado em longo prazo.

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