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Rodrigo Duterte, presidente das Filipinas
O presidente de extrema direita das Filipinas provocou uma onda de indignação depois de afirmar ter “se curado” de ser gay com a ajuda de belas mulheres. Duterte é famoso por seus discursos e declarações repletas de impropérios e frases de efeito, ameaças e piadas sobre temas delicados como o estupro.
As declarações ocorreram durante um encontro com representantes da comunidade filipina em Tóquio na semana passada. Durante seu discurso, Duterte sugeriu que um de seus principais críticos, o senador Antonio Trillanes, é homossexual.
“Trillanes e eu somos similares. Mas eu me curei“, disse o dirigente filipino. Duterte afirmou que “se tornou um homem novamente” depois de conhecer sua ex-esposa, com quem foi casado durante 27 anos. “Mulheres bonitas me curaram”, disse.
O presidente filipino tem um histórico controverso no que diz respeito aos direitos dos homossexuais. Durante a campanha presidencial, em 2016, manifestou apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas posteriormente mudou de opinião.
Também utilizou a homossexualidade como um insulto, inclusive contra o embaixador dos Estados Unidos nas Filipinas, Philip Goldberg. Em outro episódio da campanha que causou comoção, Duterte ironizou o estupro e a morte de uma missionária australiana ocorridos em 1989 durante um motim na penitenciária de Davao. Então candidato, Duterte afirmou que gostaria de ter sido o primeiro a violentar a religiosa.
A associação Bahaghari, que defende os direitos dos homossexuais e transgêneros, afirmou que os comentários de Duterte são perigosos e retrógrados.
“É sintomático de doenças ainda mais graves: a ignorância, o preconceito e o ódio”, destacou a organização em um comunicado. “Declarações como esta, como os comentários perversos e ofensivos contra as mulheres, não podem ser recebidas como algo leve ou descartadas apenas como piadas”, completou a associação.
A Organização Mundial da Saúde e a Associação Americana de Psiquiatria consideram a homossexualidade uma orientação sexual e não um distúrbio. As Filipinas, inclusive, têm uma reputação de tolerância e respeito da homossexualidade, mas analistas alertam que as proteções legais estão perdendo força.
Ao mesmo tempo, a Igreja Católica é muito influente em uma nação onde a maioria dos 106 milhões de habitantes se definem como fiéis. O aborto e o divórcio são ilegais nas Filipinas, em parte pela grande resistência a mudanças por parte da Igreja.
// RFI