UE nega a premiê israelense reconhecer Jerusalém como a capital de Israel

World Economic Forum / Flickr

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel

O primeiro-ministro israelense disse, nesta segunda-feira (11), em Bruxelas, que o reconhecimento de Jerusalém como capital do país “torna a paz possível” no Oriente Médio – afirmação também defendida pelos EUA.

“Jerusalém é a capital de Israel, ninguém pode negar (…) Torna possível a paz porque reconhece a realidade e a substância da paz”, declarou Benjamin Netanyahu em Bruxelas antes do encontro com os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia.

“Acredito que a maioria dos países europeus vão mudar as embaixadas para Jerusalém, reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e se empenhar conosco de forma robusta na procura de segurança, prosperidade e paz”, declarou ainda.

Trata-se da primeira visita do chefe de governo de Israel a Bruxelas e decorre em um período de tensão política provocada pelo reconhecimento da cidade de Jerusalém como capital israelense pelos Estados Unidos.

A posição anunciada na semana passada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, tem sido criticada pela União Europeia.

Por sua vez, Federica Mogherini, chefe da diplomacia europeia, afirmou que “a única solução israelense para o conflito é entre Israel e a Palestina, baseada em dois estados, com Jerusalém como a capital de ambos; o estado de Israel e o estado da Palestina ao longo da fronteira de 1967”.

“Como parceiros e amigos de Israel, pensamos que é do interesse securitário encontrar uma solução duradoura e global“, disse ainda Mogherini, condenando “todos os ataques cometidos contra os judeus, em todo o mundo, incluindo na Europa”.

Antes de chegar a Bruxelas, Netanyahu foi recebido em Paris por Emmanuel Macron, que pediu o congelamento da expansão dos colonatos ilegais de Israel em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia.

No próximo mês de janeiro, está agendada também em Bruxelas uma visita do líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Na semana passada, Trump não só declarou Jerusalém como a capital de Israel como também confirmou que já deu ordens ao seu Departamento de Estado para que comece a preparar a mudança da embaixada norte-americana de Tel Aviv para a cidade santa.

No discurso, o presidente norte-americano disse que continua defendendo uma solução de “dois Estados” naquela região e que “fará de tudo para promover uma solução pacífica”.

EUA: decisão ajudará a avançar no processo de paz

A embaixadora americana na Organização das Nações Unidas (ONU), Nikki Haley, defendeu neste domingo (10) que a decisão dos EUA de reconhecer Jerusalém como capital de Israel “movimentará a bola para frente” no processo de paz entre israelenses e palestinos.

“Quando alguém toma uma decisão sempre haverá alguns que verão isso negativamente e outros que verão positivamente. Mas, acho que, ao final, isto movimentará a bola para frente no processo de paz”, afirmou ela em entrevista à rede “CNN”.

A decisão comprometeu o papel do Executivo em Washington como mediador de paz, disparou a tensão na região com dezenas de protestos, principalmente em países árabes, e provocou até uma declaração de condenação dos ministros de Relações Exteriores da Liga Árabe, que pediram a Trump que se retrate.

Na entrevista à CNN, Haley reconheceu que seu governo já esperava reações negativas, mas insistiu que reconhecer Jerusalém como a capital israelense ajudará na paz.

Ela considerou que Trump “tirou Jerusalém” da mesa de negociação, para que líderes israelenses e palestinos possam agora abordar outros temas, como Jerusalém Oriental, que os palestinos reivindicam como capital do seu futuro Estado e que Israel ocupou em 1967. Após a anexação, a ONU pediu que a comunidade internacional retirasse suas delegações da Cidade Santa.

“Sobre Jerusalém Oriental ou a qualquer outra parte, isso é entre palestinos e os israelenses, isso não cabe aos Estados Unidos. O que nos cabe aos Estados Unidos é dizer que queremos a nossa embaixada na capital e a capital é Jerusalém”, defendeu Haley.

Ciberia // ZAP / EFE

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