RED ICE / JPL-Caltech / NASA

A sonda Voyager e o famoso disco dourado que levou para o espaço informação sobre a Humanidade. Ao fundo, Carl Sagan
Seis anos após a Voyager 1 abandonar oficialmente o Sistema Solar, parece que a sua companheira também se aproxima da fronteira interestelar. Segundo a NASA, a Voyager 2 começou a detectar o mesmo aumento na radiação cósmica que atingiu a Voyager 1, pouco antes de entrar no espaço interestelar.
De acordo com um comunicado da NASA, a sonda Voyager 2 está se afastando definitivamente da influência do Sol. O aumento no fluxo dos raios cósmicos foi verificado em 2012, com a Voyager 1, cerca de três meses antes de a sonda deixar a heliopausa – a última fronteira da heliosfera – e entrar no espaço interestelar.
Apesar de a Voyager 2 ter sido lançada duas semanas antes da Voyager 1, em 1977, a sonda estava em uma trajetória mais curta, tendo chegado primeiro a Júpiter e Saturno. Agora, a Voyager 2, fiel ao seu nome, está pronta para finalmente seguir viagem.
A pressão no Espaço é extraordinariamente baixa, mas ainda existe. Por todo o Sistema Solar, o vento do Sol exerce uma pressão externa. A certo ponto, esse vento não é forte o suficiente para empurrar a sonda para trás, contra o espaço interestelar.
Dessa forma, a Voyager 2 está, desde 2007, na camada mais externa da heliosfera, numa espécie de “bolha” magnética criada pelas emissões do Sol, que protege os planetas das radiações do espaço interestelar – a heliopausa. Está a cerca de 17,7 bilhões de quilômetros da Terra, ou seja, mais de 118 vezes a distância da Terra ao Sol.
E se de um lado está a heliosfera, a bolha do Sistema Solar esculpida pelo vento, do outro está o resto do Universo. Se sair da heliopausa, a Voyager 2 se torna o segundo objeto feito pelo homem, depois da Voyager 1, a deixar o Sistema Solar.
Desde o final de agosto, o instrumento chamado Subsistema de Raios Cósmicos da sonda detectou um aumento de 5% nos raios cósmicos de alta energia, partículas de movimentos rápidos, que são originadas fora do Sistema Solar. Alguns desses raios são bloqueados pela heliosfera, o que faz com que a taxa continue a aumentar à medida que a Voyager 2 atravessa a fronteira rumo ao espaço interestelar.
No entanto, os cientistas ressalvam que, apesar de os sinais serem muito semelhantes aos que foram registrados pela Voyager 1, não é certo que a Voyager 2 tenha uma experiência idêntica. Isto porque a sonda se encontra em uma zona diferente da heliosfera, o que pode implicar um tempo de saída diferente.
Ed Stone, o cientista responsável pela missão, afirma que “assistimos a uma mudança no ambiente ao redor da Voyager 2”. “Vamos aprender muito nos próximos meses, mas ainda não sabemos quando chegaremos à heliopausa. Ainda não estamos lá – isso é uma coisa que posso dizer com confiança”, lê-se no site da NASA.
Ciberia // ZAP