Zuckerberg “lamenta muito” por falhas que ajudaram a eleger Donald Trump

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, reconheceu “erros” e prometeu melhorar a rede social depois de ter sido revelado o uso indevido de dados pessoais de milhões de utilizadores pela empresa britânica Cambridge Analytica.

O Facebook “cometeu erros”, afirmou Zuckerberg, na primeira vez que falou sobre o caso, admitindo ser “responsável pelo que está acontecendo” na rede social e prometendo disponibilizar formas de os utilizadores controlarem melhor a utilização de seus dados pessoais.

“Há mais a ser feito, precisamos de ir mais rápido e atuar”, escreveu Zuckerberg na sua página pessoal da rede social.

I want to share an update on the Cambridge Analytica situation — including the steps we've already taken and our next…

Posted by Mark Zuckerberg on Wednesday, March 21, 2018

“Temos a responsabilidade de proteger seuss dados pessoais e, se não conseguimos fazê-lo, não merecemos servir-los”, escreveu o fundador da rede social, acrescentando que a empresa analisará de perto os aplicativos do Facebook para garantir que não existam abusos de dados pessoais.

O Facebook tem estado no centro de uma vasta polêmica internacional com a empresa Cambridge Analytica, acusada de ter recuperado dados de 50 milhões de perfis da rede social, sem o seu consentimento, para elaborar um programa informático destinado a influenciar o voto dos eleitores, favorecendo a campanha de Donald Trump.

A empresa fundada por Mark Zuckerberg se afirmou “escandalizada por ter sido enganada” pela utilização feita com os dados dos seus utilizadores e disse que “compreende a gravidade do problema“.

O escândalo levou a uma queda nas ações do Facebook e Mark Zuckerberg foi convocado por uma comissão parlamentar britânica e pelo Parlamento Europeu para se explicar.

Em entrevista à CNN, Zuckerberg disse estar “muito feliz por testemunhar”. O fundador da maior rede social acrescentou que a empresa irá enviar ao Congresso a pessoa que tem mais conhecimento do assunto e que se essa pessoa for ele, ficará feliz em fazê-lo.

Nos Estados Unidos, os procuradores de Nova York e de Massachusetts e a Comissão Federal do Comércio anunciaram que vão investigar o caso.

De acordo com o The Times, os investidores estão processando a rede social, alegando que a empresa fez “falsa e enganadoras declarações” sobre a política que fracassou em prevenir que uma empresa britânica obtivesse os dados de 50 milhões de utilizadores.

Fan Yuan, um dos acionistas, preencheu a ação judicial em São Francisco em nome de um número desconhecido de investidores, alegando que as “omissões” do Facebook levaram a um declínio “precipitado” no valor das ações da empresa, que perdeu quase 50 bilhões de dólares só na segunda e terça-feira (19 e 20 de março).

Novas medidas de proteção

O Facebook prometeu ser mais cauteloso com a forma como compartilha os dados dos utilizadores e mais transparência na forma como o faz.

A partir deste mês, a empresa irá auditar todas os aplicativos que tenham tido acesso a grandes quantidades de dados antes de 2014, altura em que o portal passou por uma forte reestruturação. O apps que infringirem qualquer regra de utilização dessas informações, serão excluídas do Facebook.

Em adição, a rede social promete notificar todos os utilizadores que forem afetados por aplicativos maliciosos e barrar o acesso de apps a dados de quem não as tenha utilizado por três meses consecutivos.

Essa última medida serve para manter a lista de permissões atualizada, uma vez que é muito provável que alguns dos aplicativos que o utilizador instalou quando fez sua conta ainda estejam utilizando informações no negócio. Para rematar a decisão, o portal irá ainda facilitar o controle de permissões a certos aplicativos pelos próprios utilizadores.

Por último, o programa de “caça aos bugs” foi ampliado para recompensar utilizadores que encontrem apps maliciosos que estejam reunindo dados dos utilizadores.

Entretanto, o ministro britânico da Cultura, Matt Hancock, considerou insuficiente o conjunto de medidas anunciadas por Zuckerberg para proteger os dados.

Fundador do WhatsApp defende abandono do Facebook

O cofundador do aplicativo WhatsApp, adquirido há quatro anos pelo Facebook, juntou-se ao movimento online que apela à desativação da rede social Facebook, escrevendo no Twitter que “está na hora”.

O programador e empresário norte-americano Brian Acton, que criou o app, em conjunto com Jan Koum, em 2009, afirmou: “Está na hora. #DeleteFacebook” (“It’s time. #deletefacebook”, em inglês).

A hashtag #deletefacebook tem sido uma das mais usadas no Twitter desde o surgimento de relatos que apontam para o uso ilegal de dados de mais 50 milhões de utilizadores do Facebook. E não faltou quem já tivesse aproveitado para brincar com a situação.

O WhatsApp foi comprado pelo Facebook em 2014, em uma transação avaliada em 19 bilhões de dólares.

Ciberia // ZAP

COMPARTILHAR

DEIXE UM COMENTÁRIO:

Colin Powell, ex-secretário de Estado dos EUA, morre aos 84 anos

Primeiro negro a ocupar topo da diplomacia e da máquina militar americana, ex-general teve papel de destaque na Guerra do Golfo e arranhou sua credibilidade ao apoiar a invasão do Iraque uma década depois. Colin Powell, …

Criminosos usam escaneamento por código do próprio usuário para 'sequestrar' contas do WhatsApp

Em 2019, um relatório divulgado pelo laboratório de pesquisa da empresa de segurança virtual Eset alertou que uma das formas crescentes de sequestro de contas do WhatsApp era feita por meio de um ataque conhecido …

EUA: Manobras de Trump bloqueiam investigação sobre invasão do Capitólio

Vários parceiros e associados do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se recusaram a comparecer à comissão da Câmara que investiga a invasão de 6 de janeiro de 2021 contra o Capitólio, sede do …

Dor nos olhos após COVID-19: cientistas explicam causa de complicação inesperada do vírus

Uma pesquisa de cientistas alemães mostrou que o coronavírus pode penetrar nos olhos e infectar os fotorreceptores e células ganglionares na retina. Isso pode ser uma causa de problemas com os olhos após a COVID-19. Os …

Estudo mostra como mudanças climáticas afetarão a energia hidrelétrica no Brasil

Um novo relatório publicado pela Global Environmental Change revela que, nas próximas décadas, as reduções de precipitação e vazão dos rios na região amazônica — a maior bacia hidrográfica do mundo e uma forte candidata …

Merkel é premiada por compromisso com a União Europeia

"Somente uma Europa unida é uma Europa forte", diz a líder alemã ao receber o prêmio Carlos 5º. Rei espanhol destaca pragmatismo e confiabilidade da chanceler federal, descrevendo-a como uma "mulher extraordinária". Prestes a deixar o …

França: crianças pobres são ainda mais vulneráveis à poluição do ar, aponta relatório

O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e a rede mundial Climate Action Network International, que reúne associações que lutam contra o aquecimento global, divulgaram, nesta quinta-feira (14), o relatório "Injustiça social …

'Love is in the Bin': a obra semidestruída de Banksy vendida a R$ 121 milhões em leilão

Uma obra de arte de Banksy que se autodestruiu parcialmente em um leilão anterior foi arrematada agora a um preço recorde de 16 milhões de libras (cerca de R$ 121 milhões). Love is in the Bin …

EUA tentam virar a página da era Trump e voltam ao Conselho de Direitos Humanos da ONU

Os Estados Unidos voltaram, nesta quinta-feira, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, órgão que o país havia deixado durante o mandato de Donald Trump. O retorno mostra a vontade de Washington de fazer …

Explosões deixam vários mortos em mesquita no Afeganistão

Ao menos 33 pessoas morrem após explosões em mesquita xiita durante a oração de sexta-feira. Testemunha diz ter visto homens-bomba. Incidente ocorre dias depois de ataque do "Estado Islâmico" contra xiitas no país. Fortes explosões atingiram …