Kamil Krzaczynski / AFP

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) estimou nesta terça-feira que os coágulos sanguíneos devem ser considerados efeitos colaterais “muito raros” da vacina contra o coronavírus desenvolvida pelo laboratório Johnson & Johnson. A entidade, que não informou quando a vacinação com o imunizante será iniciada no bloco, afirma que os benefícios da Janssen continuam a superar os riscos.
A EMA estabeleceu “uma possível ligação” entre a vacina J&J e os casos relatados de coágulos sanguíneos. Por isso, as ocorrências devem ser listadas como “efeitos colaterais muito raros” do imunizante Janssen.
O regulador europeu “vê um possível vínculo com raríssimos casos de coágulos sanguíneos incomuns associados às plaquetas sanguíneas baixas”. A agência acrescentou, no entanto, que isso “confirma que o saldo global de benefícios de riscos continua sendo positivo“.
A agência, com sede em Amsterdã, afirmou que seu comitê de farmacovigilância (PRAC) “concluiu que uma advertência sobre os coágulos sanguíneos raros com plaquetas baixas deve ser adicionada às informações” sobre a vacina da J&J.
Efeitos colaterais semelhantes aos da AstraZeneca
A EMA indicou que os efeitos colaterais provocados pela Janssen “eram muito semelhantes aos ocorridos com a vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZneca”, repatizada de Vaxzevria.
Os oito casos examinados pela agência europeia correram nos Estados Unidos, após 7 milhões de pessoas terem sido vacinadas. Eles foram registrados somente em mulheres, com menos de 60 anos. Mas por enquanto, “fatores de risco específicos não podem ser determinados”.
Vacinação suspensa
A Johnson & Johnson suspendeu na semana passada o início da distribuição de sua vacina na Europa, aguardando a conclusão desse estudo da EMA. O diretor financeiro do laboratório americano afirmou hoje que continua “100% confiante” no imunizante. Ele espera que em breve uma solução será encontrada com as agências reguladoras para a sua utilização.
A vacina Janssen está atualmente suspensa nos Estados Unidos e na Europa, mas a decisão de hoje da EMA abre o caminho para a sua utilização na União Europeia.
As autoridades sanitárias americanas recomendaram na terça-feira (13) da semana passada “uma pausa” na utilização da vacina da Johnson & Johnson, durante a investigação sobre a ocorrência dos vários casos graves de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas com a Janssen.
// RFI