Dinamarca é 1° país a abandonar vacina da Oxford; França mantém imunizante para maiores de 55 anos

A Dinamarca anunciou nesta quarta-feira que deixará definitivamente de administrar a vacina contra a Covid-19 da Oxford/AstraZeneca devido a uma possível ligação com casos raros de trombose, uma decisão sem precedentes no mundo.

O imunizante continuará a ser administrado na França em pessoas com mais de 55 anos, assim como o da Janssen, no qual o governo francês disse nesta quarta-feira manter a “confiança”. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) declarou que fornecerá uma análise sobre a vacina Janssen, da Johnson & Johnson, na próxima semana.

A escolha das autoridades sanitárias dinamarquesas terá como consequência o adiamento de alguns dias, de 25 de julho para o início de agosto, da data prevista para o fim do atual programa de vacinação na Dinamarca.

Os resultados da investigação dos coágulos sanguíneos “mostraram efeitos colaterais reais e graves da vacina da AstraZeneca”, disse Søren Brostrøm, diretor da Autoridade de Saúde Dinamarquesa, em um comunicado.

“Com base em uma avaliação geral, optamos por continuar o programa de vacinação para todos os grupos-alvo sem esta vacina”, acrescentou.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) anunciou na semana passada que havia estabelecido uma possível ligação entre a vacina da AstraZeneca e casos muito raros de trombose, destacando que o risco de morrer de Covid-19 era “muito maior” que o de ter o raro efeito colateral.

No entanto, a EMA deixou aos 27 Estados-membros da União Europeia a liberdade de realizar a sua própria avaliação dos riscos e determinar quaisquer alterações nas condições de sua utilização. Vários países, incluindo França e Alemanha, retomaram a vacinação após esses anúncios, mas apenas para certas faixas etárias.

A Dinamarca, com uma população de cerca de 5,8 milhões de pessoas, começou a reabrir suas escolas, restaurantes, shoppings e atividades culturais depois que o número diário de novas infecções caiu para entre 500 e 600, em comparação com vários milhares de casos em dezembro de 2020.

Quase um milhão de dinamarqueses já receberam uma primeira injeção de vacina: 77% com Pfizer/BioNTech, 7,8% com o imunizante da Moderna, e 15,3% com a AstraZeneca.

A Dinamarca foi o primeiro país a suspender o uso da vacina AstraZeneca em março em nome do princípio da precaução. Desde então, suspendeu também o uso da vacina Johnson & Johnson, enquanto aguarda os resultados de uma investigação sobre uma possível ligação com, novamente, casos raros de coágulos de sangue.
França mantém AstraZeneca e Janssen para maiores de 55 anos

A vacina da Johnson & Johnson será administrada na França a pessoas com mais de 55 anos, como já é o caso da AstraZeneca. A vacinação com o imunizante Janssen foi suspensa nos Estados Unidos e na África do Sul devido à rara ocorrência de coágulos sanguíneos graves.

A Johnson & Johnson decidiu então adiar imediatamente a implantação de sua vacina de dose única na Europa, onde foi a quarta farmacêutica a obter autorização da Agência Europeia de Medicamentos, no mês passado.

“Recebemos a primeira entrega de vacinas Janssen, ou seja, 200 mil doses que chegaram no início da semana em nosso território e que estão sendo enviadas para os dispensários de remédios e farmácias da cidade”, declarou o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, após o Conselho de Ministros.

“Obviamente, o imunizante será distribuído e administrado nas mesmas condições que o previsto hoje para a vacina da AstraZeneca, ou seja, para pessoas com mais de 55 anos”, acrescentou.

O porta-voz também reafirmou a “confiança” das autoridades francesas na vacina AstraZeneca, que usa como portador um tipo de vírus muito comum chamado adenovírus – uma tecnologia semelhante à usada pela Johnson & Johnson.

Essa vacina “mostra resultados muito bons, (ela) protege com eficácia as formas graves [de Covid-19]”, martelou Attal. A AstraZeneca também se beneficia de uma opinião favorável do regulador europeu e da Organização Mundial de Saúde.

O Comitê de Avaliação de Risco de Farmacovigilância da agência europeia já começou a analisar os casos raros, mas graves, de coágulos sanguíneos atípicos observados nos Estados Unidos em pessoas que receberam esta vacina (mulheres com menos de 50 anos).

A EMA especifica em um comunicado à imprensa que o processo será acelerado e que deverá ser capaz de publicar uma opinião na próxima semana, ao mesmo tempo em que reafirma que, do jeito que está, a relação risco-benefício da vacina J&J permanece amplamente favorável.

Um total de seis casos foram identificados em mais de 6,8 milhões de doses da vacina J&J já administradas nos Estados Unidos.

// RFI

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