Arqueólogos descobrem quando humanos começaram a usar fogo

Pesquisadores dos Países Baixos estudaram lugares arqueológicos com evidências de uso do fogo por hominídeos e apontaram o que dizem ser o caso de difusão cultural mais antigo conhecido, 330.000 anos antes do que se pensava.

Os humanos começaram a usar o fogo há cerca de 400.000 anos, concluíram arqueólogos da Universidade de Leiden e da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, ambas nos Países Baixos.

Na época, os ancestrais do homem moderno ainda não tinham deixado a África para começarem povoar outros continentes, mas a partir desse período há várias evidências de uso do fogo: carvão, ossos carbonizados e sedimentos expostos ao calor, apontam os pesquisadores.

Com base em lugares com vestígios de fogo produzido por hominídeos em várias partes do mundo, a equipe de cientistas concluiu que os ancestrais humanos desenvolveram uma comunicação primitiva já na segunda metade do período Chibaniano (que engloba um período entre 770 mil e 126 mil anos atrás) através da disseminação de habilidades culturais.

“Até agora pensava-se que a difusão cultural começou há apenas 70.000 anos, quando os homens modernos, Homo sapiens, começaram a se dispersar, mas a evidência do uso do fogo agora mostra que isso aconteceu muito antes”, comenta Katharine MacDonald, arqueóloga e pesquisadora da Universidade de Leiden e primeira autora do estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Segundo os pesquisadores, este é o mais antigo caso de difusão cultural conhecido no registro arqueológico.

“Como múltiplas subpopulações de hominídeos sobreviveram e deixaram evidências de uso do fogo, é improvável que as práticas associadas ao uso do fogo tenham sido transportadas por uma única subpopulação em dispersão”, escrevem os autores da pesquisa.

Como outro exemplo, os cientistas referiram que há 300.000 anos os povos antigos disseminaram uma tecnologia especial para o processamento de ferramentas de pedra, conhecida como técnica Levallois. Ela se espalhou em ainda menos tempo pelo noroeste da Europa e pelo Oriente Médio, embora levasse tempo para aprender.

Na opinião dos pesquisadores, isso sugere fortes interações sociais e miscigenação entre as populações hominídeas no período Paleolítico Inferior, entre três milhões e 250.000 anos atrás, que de alguma forma se desmoronaram mais tarde. Em comparação, foram necessários mais de 100.000 anos para que um machado de pedra da África chegasse à Europa, entre 700.000 e 600.000 anos atrás.

“Assim, membros dessas subpopulações se encontraram repetidamente e durante um muito longo período de tempo, preparando o terreno para a difusão cultural”, afirmam os cientistas.

Ciberia // Sputnik

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