Cientistas descobrem hominídeo que compartilhou a África com os primeiros humanos

Cientistas sul-africanos descobriram que um hominídeo descoberto em 2013 viveu ao mesmo tempo que os primeiros humanos há centenas de milhares de anos. Esta é a primeira descoberta do gênero.

Os pesquisadores Paul Dirks e Eric Roberts, da Universidade James Cook dataram o homo naledi no período entre 236 mil e 335 mil anos atrás, usando fósseis encontrados em sistema de cavernas.

“Quando identificamos os fósseis pela primeira vez, a maioria dos paleoantropólogos na investigação ficou convencida de que teriam um ou dois milhões de anos, mas são muito mais recentes. Isso quer dizer que um hominídeo primitivo persistiu na África por um período de tempo muito longo, muito além do que se julgava possível”, afirmou Dirks.

É a primeira vez que um membro afastado da árvore evolutiva humana é identificado em um período em que os primeiros homo sapiens cruzavam o continente africano.

Paul Dirks considerou que a estrutura das mãos do homo naledi pode indicar que fabricava ferramentas, uma vez que no período em que viveu já existiam ferramentas na África.

Eric Roberts apontou a dificuldade de explorar as cavernas em que os fósseis foram encontrados, situadas no chamado Berço da Humanidade, um local perto da cidade de Magaliesburg, no nordeste do país.

Com passagens apertadas, a caverna é composta por duas câmaras. Ainda não se sabe, por enquanto, a razão de os homo naledi terem parado ali.

“Há um grande debate sobre se é um local funerário ou se ficaram presos ali. Podem ter sido perseguidos por leões ou até por outros humanos, podem não ter conseguido sair. Esta é uma região de grandes tempestades e há vestígios de impactos de meteoritos naquela altura. Pode especular-se o que se quiser, mas por agora subsiste a hipótese original de terem sido postos ali de propósito”, afirmou John Hawks, da Universidade de Wisconsin.

A ideia de o homo naledi colocar os mortos em câmaras subterrâneas de difícil acesso é comum em relação aos neanderthais, dos quais há prova de rituais funerários em uma caverna profunda na Espanha, conhecida como Sima de los Huesos.

“A parte mais excitante do homo naledi é que se tratava de criaturas com cérebros três vezes mais pequenos que os nossos”, afirma Hawks, acrescentando que “não estamos falando de um humano”.

No entanto, parece compartilhar um comportamento que reconhecemos, um cuidado pelos outros que continua após morrerem, salienta. “Fico deslumbrado ao pensar que podemos estar testemunhando as raízes mais profundas das práticas culturais humanas”, concluiu.

// ZAP

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