Bebês mais velhos são mais fofos do que os recém-nascidos; e isso é cruel

Apesar do que as mãe possam dizer, bebês recém-nascidos são realmente menos fofos que bebês um pouco mais velhos – e isso pode ter uma explicação evolutiva bastante cruel. Pelo menos é o que diz uma pesquisa feita pela Universidade de Brock, no Canadá.

Segundo o estudo, publicado em fevereiro na revista Evolution & Human Behavior, os adultos acham os rostos dos bebês mais bonitos a partir dos seis meses. Por isso, os pais que não achem os filhos recém-nascidos muito bonitos, não precisam entrar em desespero.

“Queremos dizer aos pais que, se não criarem laços instantaneamente com o bebê como imaginaram, é normal. O vínculo se constrói e cresce ao longo do tempo”, explica Tony Volk, professor de Estudos de Crianças e Jovens da universidade.

O estudo foi tão simples quanto um estudo que analisa a beleza de bebês pode ser: os cientistas Volk e Irisa Wong mostraram 142 fotografias de 18 bebês aos participantes. Algumas imagens foram tiradas pouco depois do nascimento, com três meses de idade e outras ainda com seis meses de idade.

Os cientistas perguntaram aos participantes quão dispostos estariam a adotar os bebês com base nas percepções sobre coisas como a fofura e a felicidade das crianças.

Os cientistas dizem que os adultos classificaram os recém-nascidos como os menos atraentes e os bebês de seis meses apresentaram classificações mais altas em todas as pistas faciais.

O estudo, intitulado “Os rostos dos recém-nascidos são menos atraentes?”, mostra que há uma tendência diferente daquela que os pesquisadores acreditavam anteriormente. “Foi interessante porque geralmente pensamos que quanto mais novas, mais fofas são as crianças”, diz Franklin, autora principal do estudo.

Desapego necessário

Os bebês, sejam humanos ou não, possuem certos traços físicos que os adultos consideram “fofos”. Em bebês humanos, estes traços incluem olhos grandes, bochechas gordinhas, sorrisos grandes e aqueles ruídos bonitinhos que só os bebês sabem fazer.

Pesquisas que remetem à década de 1940 teorizaram que a fofura de um bebê pode ter sido um importante aspecto evolutivo, pois criaria, nos adultos, comportamentos cuidadosos, garantindo a sobrevivência infantil.

Mas se fosse esse o caso, os bebês recém-nascidos deveriam ser vistos como os mais fofos de todos, pois são os mais vulneráveis ​​e precisam de mais proteção e cuidado, diz Volk.

Inicialmente, ele e sua equipe de pesquisa ficaram intrigados com a descoberta de que a percepção dos adultos sobre a fofura se intensifica seis meses depois dos bebês nascerem. “Começamos a nos perguntar por que haveria esse pico específico”, explica.

A teoria é que o “atraso” na fofura é resultado da falta de apego necessário aos humanos em relação aos bebês no passado.

Aos seis meses de idade, os bebês sobrevivem mais frequentemente a doenças do que os bebês mais novos. Outros estudos e relatórios em todo o mundo mostram que a maioria dos infanticídios ou abandonos ocorrem nas primeiras semanas de vida.

Volk diz que este atraso na percepção é uma adaptação adulta que pode ser uma sobra dos tempos evolutivos, quando os recursos eram escassos e as doenças infantis eram mortais.

“Caçadores-coletores que já tinham um filho em amamentação não podiam cuidar de dois filhos ao mesmo tempo. Se fosse uma mãe camponesa na Inglaterra medieval e só tivesse comida suficiente para uma criança e tivesse outra, ambas provavelmente morreriam, por isso era melhor ter apenas uma criança. Estas são decisões difíceis com que os humanos lidaram por milhares de anos”, aponta o cientista.

“Um atraso no apego torna essas perdas precoces mais fáceis de lidar“, sugere.

Os cientistas acreditam ainda que podem haver outros dois fatores possíveis para o atraso na ligação entre o bebê e seus pais.

Um deles é que pode levar até um mês para que os bebês desenvolvam a capacidade de sorrir conscientemente por felicidade. Outro, que os pais podem notar semelhanças entre si mesmos e os bebês apenas após alguns meses de idade, o que aumentaria a ligação entre as partes.

E essa ligação também pode depender dos bebês. Pesquisas anteriores já mostraram que os bebês desenvolvem uma preferência por um cuidador específico e experimentam “ansiedade de separação” quando estão longe dessa pessoa quando têm cerca de sete meses.

Formas de vínculo com recém-nascidos podem incluir massagem infantil, passar muito tempo com o bebê e manter um contato pele com pele.

Ciberia // HypeScience / ZAP

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