Tânia Rêgo / Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (07/07) que seu exame para detectar a covid-19 teve resultado positivo.
Bolsonaro, de 65 anos, se submeteu ao exame na segunda-feira, após dizer que estava sentindo sintomas leves da covid-19. Na ocasião, ele foi levado ao Hospital das Forças Armadas em Brasília para fazer uma ressonância magnética nos pulmões, antes de fazer um novo teste para o coronavírus.
Ao anunciar o resultado, em entrevista em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro aproveitou a ocasião para mais uma vez reclamar das medidas de isolamento impostas por prefeitos e governadores. “Levou um certo pânico à sociedade no tocante ao vírus. Todo mundo sabia que mais cedo ele iria atingir uma parte considerável da população. Eu, por exemplo, se não tivesse feito o exame, não saberia o resultado. E ele acabou de dar positivo.” “O fato de eu ter sido contaminado mostra que eu sou um ser humano como outro qualquer”, disse.
Bolsonaro também disse que está se tratando com hidroxicloroquina, o medicamente que ele tem propagandeado como uma “cura”, apesar de sua eficácia contra a covid-19 não ter sido comprovada e de agências sanitárias de vários países já terem descartado seu uso no tratamento da doença.
“Estou perfeitamente bem“, disse o presidente. “Obviamente, as medidas que estou tomando, protocolares, são para evitar a contaminação a terceiros.”
Bolsonaro afirmou ainda que não ficou surpreso com o resultado. “Confesso que achava que já tinha pego lá atrás, tendo em vista a minha atividade muito dinâmica perante a população”, disse.
Nos últimos meses, em diversas ocasiões, o presidente contrariou recomendações e desafiou medidas impostas para evitar aglomerações ao realizar passeios pelo comércio, participando de atos com apoiadores e abraçando e cumprimentando pessoas.
O presidente, que faz parte do grupo de risco por causa da idade, também voltou a minimizar em parte o coronavírus, que já provocou 65 mil mortes no país. “O cuidado mais importante é com mais idosos, que têm problema de saúde. Com os demais você toma cuidado, mas não precisa entrar em pânico. A vida continua.”
“Temos que voltar a trabalhar, caso contrário a economia pode se colocar em uma situação bastante complexa. Como eu já disse no passado, não se pode combater o vírus onde o efeito colateral desse combate é pior do que os danos causados pelo próprio vírus”, completou.
Ele também aproveitou para distorcer mais uma vez as implicações de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que garantiu que os estados e municípios têm autonomia para tomar medidas que tenham como objetivo tentar conter a propagação da doença, como o fechamento do comércio e igrejas. Para Bolsonaro, a decisão reduziu o governo federal a um mero “repassador de recursos”.
No entanto, a decisão não impede que o governo federal realize suas próprias ações contra o vírus e trace estratégias de âmbito nacional. A decisão foi tomada em abril, quando o presidente vinha ameaçando editar decretos para forçar a reabertura. O governo federal também segue sem um ministro da Saúde desde maio.
Bolsonaro passou a maior parte da entrevista de máscara, mas, ao final, tirou o acessório em frente aos jornalistas. “Para vocês verem minha cara, eu estou tranquilo, estou bem, tudo na paz”, disse.
Bolsonaro não é o primeiro líder mundial a contrair a covid-19.
Em 27 de março, o premiê britânico Boris Johnson revelou que seu teste havia detectado o coronavírus. Na ocasião, Johnson disse em um vídeo que tinha “sintomas leves” e que pretendia continuar a liderar o governo à distância. Dez dias depois, teve que ser internado numa UTI quando seu estado piorou. Ele se recuperou em 12 de abril.