Cientistas criam máquina que gera eletricidade a partir do ar

(dv) Justin Raymond

Um grupo de cientistas desenvolveu um dispositivo chamado “ressonador térmico”, que pode extrair a eletricidade a partir do ar, aproveitando as mudanças graduais de temperatura que ocorrem naturalmente ao longo do dia.

Um artigo sobre a pesquisa, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA, foi publicado na semana passada na revista Nature Communications.

A ideia não é nova. Os cientistas procuram formas de aproveitar as flutuações de temperatura como fonte de energia há anos. A maioria dos dispositivos desse tipo funciona com base no princípio termoelétrico, o que significa que geram eletricidade ao aproveitar as diferenças de temperatura entre os dois lados de um material.

Em outras palavras, à medida que o calor viaja do lado mais quente de um material para o lado mais frio, é criada uma diferença de tensão, o que, por sua vez, gera eletricidade.

No entanto, até hoje, todas as aplicações alcançadas dependiam de uma diferença de temperatura bastante significativa. A vantagem do novo estudo é que pode ser utilizado com flutuações mais graduais durante longos períodos de tempo, permitindo que funcione com as mudanças naturais de temperatura ao longo do dia.

O componente ativo do ressonador térmico é uma espuma composta de cobre ou níquel e infundida com uma cera, conhecida como octadecano, que se liquidifica e solidifica a certas temperaturas.

A mistura espumosa é revestida por uma camada de grafeno, um excelente condutor térmico. No total, essa combinação específica de materiais dá ao dispositivo uma efusividade térmica muito alta, o que significa que pode efetivamente absorver o calor à sua volta, bem como liberá-lo.

Essencialmente, o calor é capturado num lado do dispositivo e irradiado lentamente através do material para o outro lado. Uma vez que um lado é sempre mais frio que o outro, o calor continua em movimento enquanto tenta estabelecer um equilíbrio, e é armazenado na cera no meio do dispositivo, um material de mudança de fase. Essa energia pode então ser recolhida usando sistemas termoelétricos regulares.

“Inventamos o conceito. Construímos o primeiro ressonador térmico. É algo que cabe sobre uma mesa e pode gerar energia do ‘nada’. Estamos rodeados por flutuações de temperatura de todas as frequências diferentes. É uma fonte de energia inexplorada“, disse um dos autores do estudo, Michael Strano.

Os cientistas testaram o dispositivo durante 16 dias. Nesse tempo, a temperatura variou até 10 graus Celsius por dia, e o sistema conseguiu explorar isso para gerar 350 milivolts de potencial elétrico e 1,3 miliwatts de potência.

Apesar de esses resultados poderem parecer relativamente modestos, os pesquisadores dizem que o sistema seria suficiente para executar sensores e equipamentos remotos de baixa potência, sem precisar de baterias.

E, uma vez que utiliza as flutuações da temperatura ambiente, não está à mercê dos elementos como a energia solar ou eólica.

Essa vantagem pode ser fundamental. Ser capaz de operar quando os outros geradores não conseguem torna o ressonador térmico parte importante de uma rede de energia. Quantas mais fontes estiverem disponíveis nesta rede, melhor, porque as condições não são sempre adequadas.

Ciberia // ZAP

COMPARTILHAR

DEIXE UM COMENTÁRIO:

Samsung pode ser beneficiada por tensão entre China e Índia

Enquanto os exércitos da China e da Índia se estranham na fronteira entre os dois países, quem pode sair ganhando com a rivalidade é uma empresa sul-coreana. A Samsung deve ser a principal beneficiada com o …

Com epidemia de Covid-19 controlada, Cuba inicia retomada do turismo internacional

Enquanto o coronavírus segue se propagando pelo continente americano, Cuba garante que a epidemia está controlada no país e reabre algumas praias ao turismo internacional. No total, país registrou pouco mais de 2.300 contaminações …

Pesquisadores encontram novos dados sobre época de Genghis Khan

Grande parte da vida de Genghis Khan permanece ainda um mistério, mas um novo estudo de pesquisadores da Austrália e Mongólia fornece novos dados sobre sua época. Genghis Khan, que teria vivido entre 1162 e 1227, …

Índia vê casos explodirem e vira um dos epicentros da pandemia

Com quase 700 mil casos de covid-19, a Índia ultrapassou a Rússia e se tornou nesta segunda-feira (07/07) o terceiro país mais atingido pela pandemia de covid-19 em todo o mundo. O Ministério da Saúde indiano …

Filho interrompe ao vivo de repórter para pedir biscoitos

Em mais uma das patacoadas do home-office, a jornalista Deborah Haynes da Sky News acabou sendo interrompida por seu filho, que fez um pedido bastante singelo para a mãe: ele queria alguns biscoitos. O vídeo foi …

Encontrados metais em crateras da Lua que podem dar pistas sobre sua formação

A hipótese mais aceita sobre a formação da Lua diz que ela surgiu após a colisão entre a Terra e um planeta do tamanho de Marte, chamado Theia. O suposto evento é chamado de “hipótese …

Coronavírus empurra Cuba de volta à crise

Apesar de a covid-19 estar sob controle no país, os problemas econômicos têm se agravado, e a já difícil situação de abastecimento se torna mais crítica. Segundo semestre deve ser ainda pior na ilha caribenha. Cuba …

Boicote ao Facebook: como a debandada de grandes anunciantes pode afetar sobrevivência da rede social

Boicotes podem ser extremamente eficazes: é o que o Facebook está descobrindo. No final do século 18, o movimento abolicionista encorajou o povo britânico a ficar longe de bens produzidos pelos escravos. Funcionou. Cerca de 300 …

Cientista conta quais formas de vida os humanos podem encontrar em Marte

A humanidade tem cada vez mais chances de conhecer outras formas de vida, conforme desenvolve suas capacidades de exploração espacial. Em Marte, poderemos encontrar organismos introduzidos por veículos espaciais e modificados sob influência das condições no …

O coronavírus do ocidente é uma versão mais perigosa do que a original

Esforços são realizados para identificar se o vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, passou por mutações em relação ao primeiro identificado em Wuhan, na China, em dezembro do ano passado. Em abril, um estudo não revisado pelos …