Conselheiro de Trump manda calar a imprensa, o “partido da oposição”

Don Irvine Photos / Flickr

Steve Bannon, principal estratega e conselheiro do Presidente dos EUA Donald Trump

Steve Bannon, principal estratega e conselheiro do Presidente dos EUA Donald Trump

Um dos principais conselheiros do Presidente norte-americano considerou que a imprensa é o “partido da oposição” e que “deve ficar em silêncio”, numa entrevista divulgada esta sexta-feira pelo New York Times.

“Eu quero que me cite. Os meios de comunicação social são o partido da oposição. Eles não entendem o país. E continuam sem entender as razões pelas quais Donald Trump é Presidente dos Estados Unidos”, disse Steve Bannon, em entrevista feita quarta-feira por telefone ao New York Times.

A imprensa deve ser prejudicada e humilhada, deve calar-se e escutar por um instante”, acrescentou o fundador do site de notícias Breitbart News, ligado à chamada “direita alternativa”.

Bannon acusou também a imprensa de ter sido ativista da campanha de Hillary Clinton. “É por isso que não têm poder. Foram humilhados“, disse Bannon ao jornal americano, que tem sido duramente criticado por Trump.

Os comentários de Steve Bannon aumentam a campanha da Casa Branca para desacreditar a imprensa e ocorrem depois do Presidente dos EUA ter afirmado no sábado que os jornalistas estavam entre as “pessoas mais desonestas do mundo”.

Questionado sobre a credibilidade do porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, depois de ter feito uma conferência de imprensa em que insistiu em informações falsas, Steve Bannon disse: “Achamos que é um distintivo de honra”. “A imprensa tem integridade zero, inteligência zero e não trabalha”, acrescentou.

Naquela que é a primeira semana de Trump no poder, a mídia norte-americana tem estado num braço-de-ferro com a nova administração, nomeadamente pela quantidade de pessoas que assistiram à tomada de posse em Washington, no passado dia 20.

A imprensa noticiou que a cerimónia contou com cerca de um terço dos participantes que estiveram na tomada de posse de Obama, em 2009, e que teve até muitos menos público do que a Marcha das Mulheres, que aconteceu no dia seguinte e que contou com cerca de 500 mil pessoas na capital e muitas outras espalhadas por várias cidades do mundo.

A equipe de Trump defende que a cerimónia teve uma “audiência nunca antes vista” e a ministra da Propaganda do novo governo disse que a administração da Casa Branca tem “fatos alternativos” sobre a realidade, o que fez disparar a venda do livro “1984”, de George Orwell.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Ao que tudo vem indicando, estaremos em breve, diante de mais um ditador, um déspota, um divisionista, um novo HITLER ou NAPOLEÃO, com graves consequencias, haja vista o fato de que hoje, temos artefatos belicos que podem destruir o mundo num piscar de olhos. Senhores, fiquemos atentos e que a ONU, ao primeiro sinal, tome as medidas necessárias para conter esse individuo.

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