Consumo elevado de carboidratos é pior para a saúde do que gordura

Pessoas com dieta rica em carboidratos correm maior risco de ter problemas de saúde do que as que consomem maiores níveis de gordura, revela um estudo apresentado nesta terça-feira (29) e que envolveu mais de 135 mil pessoas.

A equipe de pesquisadores, liderada por uma universidade no Canadá, avaliou 135 mil pessoas de 18 países dos cinco continentes e os principais resultados foram hoje publicados na revista científica The Lancet.

No estudo foram sendo questionados os hábitos alimentares das pessoas, que foram seguidas por uma média de sete anos e meio. Uma das conclusões mostra que uma dieta rica em carboidratos (mais de 60% do total de energia consumida) está ligada a maior mortalidade, embora não esteja relacionada com maior risco de doença cardíaca.

Quanto às gorduras alimentares, não foi associado um maior consumo a uma maior mortalidade nem a maior risco de ataques cardíacos ou morte por doenças cardiovasculares.

Os pesquisadores destacam que os resultados são consistentes com vários estudos e ensaios clínicos conduzidos em países ocidentais nas últimas duas décadas.

Segundo a principal autora do estudo, Mahshid Dehghan, uma diminuição de ingestão de gordura levou a um aumento do consumo de carboidratos.

Para a pesquisadora, as conclusões desta análise podem explicar porque certas populações que não consomem muita gordura mas que ingerem muitos carboidratos têm maiores taxas de mortalidade.

Dehghan lembrou que durante décadas as diretrizes sobre hábitos alimentares foram no sentido de reduzir a gordura total para níveis abaixo de 30% da ingestão calórica diária, baseando-se na ideia de que reduzir a gordura deveria reduzir as doenças cardiovasculares. Contudo, não foi considerado como se substitui a gordura na dieta.

No estudo, o menor risco de morte verificado foi nas pessoas que consomem três a quatro porções (um total de 375 a 500 gramas) de frutas, vegetais e leguminosas por dia.

Ou seja, uma dieta que inclua um consumo moderado de gordura e fruta e vegetais, evitando carboidratos, está associada a um menor risco de mortalidade.

A pesquisa revelou que a ingestão de frutas, vegetais e leguminosas é globalmente de entre três a quatro porções por dia, quando as atuais diretrizes recomendam um mínimo de cinco porções diárias.

Mas as frutas e vegetais são relativamente caros em alguns países, sobretudo nos menos desenvolvidos, e muitas das pessoas não conseguem alcançar os níveis de consumo recomendados.

Na atual pesquisa, a ingestão de vegetais crus foi mais fortemente associada a menor risco de morte em comparação com o consumo de vegetais cozidos.

Ciberia // ZAP

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