Contra intolerância, rádio Exu busca valorizar cultura e religiões de matriz africana

Tânia Rego / ABr

A Rádio Exu de Comunicação Comunitária é uma rádio web de mídia étnica que completa dois anos nesta terça-feira (21), um dia após a celebração do dia da consciência negra. Tata Kinamboji, um dos articuladores da criação da rádio, conta que foram os crimes de racismo e intolerância religiosa que motivaram a sua criação.

“Saiu no programa do Ratinho uma matéria sobre os terreiros de Belém, dizendo que nós violávamos túmulos, criminalizando as práticas tradicionais de matriz africana e essa peça, em especial, é fruto de um projeto fundamentalista que negava os direitos de cidadania do nosso povo”, conta.

O programa foi ao ar em 2002. Nele, o apresentador culpa o então prefeito Edmilson Rodrigues, atualmente deputado federal pelo PSOL (PA), por ter autorizado a entrada de sacerdotes nos cemitérios.

O SBT chegou a pedir desculpas à prefeitura, mas os povos tradicionais de matriz africana de Belém não receberam nenhuma reparação por parte do veículo de comunicação.

Diante da repercussão e da violência sofrida, surgiu a ideia do nome da rádio, justamente porque Exu, o orixá da comunicação e o elo entre o mundo material e o espiritual, é uma das divindades mais demonizadas pela sociedade.

A rádio recebe produções de vários estados como Macapá, Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Sergipe e Salvador.

Thiane Neves Barros é produtora do programa Abayomi, que significa o encontro precioso. De origem Iorubá, ela informa que Abayomi é o nome dado às bonecas de pano feitas por mulheres escravizadas e comenta a simbologia por trás desta proposta.

“É exatamente promover reencontros com essas mulheres, com nós mulheres negras que estamos na diáspora desde quando a escravidão foi autorizada por essas outras pessoas, pelos europeus, então a boneca tem uma referência a essa memória, a esse conhecimento e tem como objetivo continuar passando esse bastão, que é o bastão do reencontro e da diminuição da saudade do território“, afirma.

Ela afirma que as populações identitárias, indígena e negra, não possuem espaço na mídia hegemônica, e ressalta que exemplos como a rádio Exu e outras mídias e veículos em que essas populações são protagonistas de suas produções e narrativas vêm conseguindo ocupar espaços e criar oportunidades para serem ouvidas e visibilizadas.

Ciberia // Brasil de Fato

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