Facebook e Google são vítimas de golpe online de US$ 100 milhões

Google e Facebook foram alvo de uma fraude online com valor equivalente a mais de US$ 100 milhões. O responsável foi o lituano Evaldas Rimasauskas, preso no mês passado, que se passou como uma fabricante taiwanesa de eletrônicos, da qual ambas as companhias são clientes, enviando notas de pagamento falsas para seus setores financeiros.

Os detalhes sobre o golpe foram expostos em reportagem da revista Fortune após os relatos oficiais da polícia indicarem que o criminoso havia feito de vítimas duas das principais companhias de tecnologia do mundo. Ele está sendo acusado de lavagem de dinheiro, fraude e roubo de identidade.

O golpe teria acontecido em 2013, quando Rimasauskas deu início a um elaborado esquema para obter dinheiro ilicitamente.

Ele falsificou endereços de e-mail, notas fiscais e até selos oficiais para se passar pela Quanta Computer, uma das maiores fabricantes de notebooks do mundo, que também possui negócios nas áreas de servidores, telecomunicações e sistemas automotivos.

Durante dois anos, o golpista enviou notas falsas e conseguiu convencer representantes dos setores financeiros tanto do Google quanto do Facebook a realizarem pagamentos e transferências, muitas vezes, com somas que ultrapassavam alguns milhões de dólares.

Quando o caso veio à tona, em 2015, mais de US$ 100 milhões já haviam sido repassados ao criminoso apenas pelas duas empresas, sem contar outros golpes semelhantes que vinham sendo aplicados por ele.

As quantias altíssimas podem parecer estranhas em um primeiro momento, mas fazem todo sentido quando observamos que a Quanta Computer é uma das principais parceiras das companhias no ramo dos servidores.

Para manter seus serviços funcionando, tanto Google quanto Facebook realizam amplos investimentos nesse setor, sem falar na participação das três no Open Compute Project, que tem como intuito criar soluções mais eficientes para armazenamento e transmissão de dados.

Em declarações oficiais, tanto o Facebook quanto o Google disseram que recuperaram todo o dinheiro repassado ao golpista. As duas empresas também afirmaram estarem colaborando com as autoridades desde a descoberta do golpe, há dois anos, e se comprometeram a ampliar suas verificações internas para que casos desse tipo não voltem a acontecer.

Agora, Rimasauskas enfrenta um processo de extradição da Lituânia para os Estados Unidos para responder pelos crimes que cometeu. Seus advogados são contra e afirmam que ele deve ser julgado em seu país de origem, uma vez que um julgamento em solo americano não será imparcial.

A defesa também afirma que ele foi coagido pelos agentes do FBI responsáveis por sua prisão, com ameaças de violência e longos anos de encarceramento.

Falta de transparência

Apesar de terem recuperado o dinheiro e se dizerem satisfeitos por verem a questão se aproximando do fim, os problemas do Google e do Facebook podem estar distantes de se encerrarem. A questão, aqui, é que ambas as empresas não teriam informado a seus acionistas sobre o caso, o que pode constituir uma violação de leis federais americanas.

Ainda cabe muita discussão sobre o caso. Enquanto o prejuízo de US$ 100 milhões, somado, gera pouco impacto nas contas das companhias para ser relevante, existem indícios de que o golpe pode constituir um “evento material”, que poderia afetar a reputação das empresas e levantar dúvidas sobre seus procedimentos internos.

Nesse caso, uma divulgação é exigida pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA em até quatro dias após a tomada de conhecimento, de forma a alertar investidores sobre o que aconteceu.

Por outro lado, há de se levar em conta o pedido das autoridades para que a identidade das corporações envolvidas na fraude não fosse divulgada. Isso não faz com que Google e Facebook estejam isentos de informar seus investidores, mas torna toda a questão ainda mais complexa.

Enquanto isso, fontes ligadas a ambas as empresas afirmam que elas não julgaram que o evento era significativo o bastante para necessitar de esclarecimento. Até o momento, o caminho a ser seguido pelas autoridades é incerto e não se sabe se as companhias acabarão na mira devido à falta de transparência sobre o caso.

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