Governo Trump quer pedir senhas dos celulares de turistas que forem aos Estados Unidos

O governo do presidente Donald Trump pode adotar medidas ainda mais rigorosas quanto ao porte de produtos eletrônicos em voos e aeroportos. De acordo com o Wall Street Journal, a administração do magnata está desenvolvendo novos procedimentos de segurança que podem obrigar turistas a fornecer senhas e contatos guardados em dispositivos como tablets, notebooks e smartphones.

Com base na “medida extrema” que está em discussão, o governo americano teria o direito de examinar quaisquer informações armazenadas nos telefones de todo turista que planeja visitar os Estados Unidos.

Atualmente, apenas oficiais das fronteiras de países que fazem divisa com os EUA podem inspecionar os gadgets dos usuários – isso apenas em casos isolados, e mesmo assim sem precisar vasculhar todo o conteúdo guardado nesses aparelhos.

A partir de medidas mais rígidas, os visitantes, além de terem os dispositivos eletrônicos confiscados, participariam de entrevistas em que teriam de responder perguntas pessoais e invasivas sobre crenças e ideologias.

“Se houver qualquer suspeita sobre as intenções de uma pessoa vir aos EUA, então ela terá de comprovar que está vindo por motivos legítimos”, disse Gene Hamilton, conselheiro sênior do general John Kelly, da secretaria de segurança interna.

O número de aeroportos que contariam com essa restrição seria ampliado, e não apenas refugiados seriam abordados, mas também imigrantes de qualquer local do globo.

As mudanças afetariam inclusive os países que fazem parte do programa de Isenção de Vistos do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que oferece admissões mais rápidas sem a necessidade de visto para moradores de 38 nações, entre elas França, Austrália, Japão e Grã-Bretanha.

As novas regras entrariam como complemento de uma proibição anunciada em março pelo governo americano, em que os passageiros cujo o embarque seja em dez aeroportos – quase todos em países de maioria muçulmana – não podem levar para as cabines dos aviões nenhum dispositivo eletrônico maior do que um smartphone.

Qualquer outro aparelho maior do que isso precisa ser verificado e enviado como bagagem despachada.

Segundo os Estados Unidos, a proibição é para evitar ameaças terroristas, já que o governo afirma ter recebido relatos de que integrantes do grupo extremista Estado Islâmico (ISIS) desenvolveram bombas que podem ser instaladas em aparelhos eletrônicos, e o pior: não podem ser identificadas pelos scanners e seguranças dos aeroportos.

Após os EUA anunciarem a restrição, o Reino Unido optou por adotar medidas parecidas em voos com destino ou procedente da Turquia, Líbano, Jordânia, Egito, Tunísia e Arábia Saudita. O Canadá também estuda o impacto da nova regra caso ela seja implementada no país.

A senadora Claire McCaskill criticou a possibilidade de ampliar a proibição dizendo que medidas tão rígidas como esta podem prejudicar o turismo nos Estados Unidos.

“Eu vou te dizer que, se me dissessem que, para entrar no país eu tenho de responder perguntas sobre minhas crenças, então eu não iria. Parece que estamos sinalizando para o mundo algo que é muito antiamericano”, afirmou.

Relatórios recentes apontam que o número de celulares vasculhados nas fronteiras americanas cresceu nos últimos dois anos: de 4 mil em 2015 para 23 mil em 2016.

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