Guaidó mantém presidência do Parlamento em sessão paralela

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Juan Guaidó, presidente do Parlamento da Venezuela

Assembleia Nacional da Venezuela elege dois presidentes em duas sessões paralelas após deputados da oposição serem barrados em votação na sede parlamentar. EUA e UE reiteram apoio a líder oposicionista.

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, foi reeleito neste domingo (05/01) como presidente da Assembleia Nacional por deputados da oposição na sede de um jornal, depois que um congressista rival, Luis Parra, tinha sido proclamado, com apoio chavista, como chefe da Casa, numa sessão em que deputados oposicionistas foram impedidos de entrar.

Guaidó fez seu juramento após receber votos de 100 legisladores na sessão na qual participaram deputados que estão inabilitados, devido a acusações criminais, as quais a oposição denuncia como “perseguição política”.

A partir desse mesmo cargo, o líder da oposição reivindicou em 23 de janeiro do ano passado a presidência interina do país, com reconhecimento de cinquenta nações, lideradas pelos Estados Unidos, que no domingo reiteraram seu apoio a Guaidó.

Parra, que depois de acusado de corrupção rompeu com Guaidó há um mês, havia sido eleito antes, com apoio de deputados chavistas e de alguns oposicionistas dissidentes, em uma sessão sem Guaidó e outros opositores, que tiveram sua entrada na sede legislativa impedida por policiais e militares.

Guaidó chegou a escalar a cerca que protege a área da sede da Assembleia Nacional, mas soldados com escudos antimotim o impediram de pular.

Até dezembro, Parra era membro do partido oposicionista Primeiro Justiça, que é parte da coalizão de Guaidó. Ele foi expulso da legenda depois que membros da oposição o acusaram de tentar obter votos de outros deputados para Maduro em troca de suborno.

“A Assembleia Nacional tomou uma decisão e há uma nova junta diretiva”, afirmou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. “Parece que o deputado Juan Guaidó foi retirado da Assembleia Nacional com votos da própria oposição”, disse Maduro, em um ato transmitido pela TV estatal VTV, após a tomada de posse de Parra, ato que Guaidó chamou de “golpe de Estado parlamentar”. Maduro disse a jornalistas que Guaidó não participou na sessão porque não quis “dar a cara”.

Um acordo da aliança de oposição estabelecia que a presidência anual do Parlamento seria rotativa e que em 2020 seria a vez de partidos minoritários. A maioria dessas agremiações deu apoio a Guaidó, mas algumas são críticas ao líder opositor, e outras iniciaram negociações com representantes de Maduro.

Os Estados Unidos felicitaram Guaidó por sua reeleição na chefia do Parlamento. “Felicito Juan Guaidó pela reeleição como presidente da Assembleia Nacional venezuelana e condeno os esforços sem êxito” do chefe de Estado, Nicolás Maduro, “de negar a vontade do Parlamento democraticamente eleito”, afirmou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo.

Através de nota, Pompeo ressaltou que “durante meses, funcionários corruptos do regime levaram a cabo uma campanha ilegítima, violenta e desprezível de detenções, intimidações e subornos, a fim de destruir a última instituição democrática que ainda resta na Venezuela, a Assembleia Nacional”.

A União Europeia (UE) disse nesta segunda-feira que continua a reconhecer Guaidó como presidente legítimo da Assembleia Nacional. “A UE continua a reconhecer Juan Guaidó como o legítimo presidente da Assembleia Nacional até que sejam asseguradas as condições para uma votação adequada”, frisou, em comunicado, o porta-voz para Relações Exteriores e Política de Segurança do Serviço Europeu de Ação Externa (EEAS, na sigla em inglês), Peter Stano.

Os países do Grupo de Lima, do qual o Brasil faz parte, condenaram “o uso da força pelo regime ditatorial de Nicolás Maduro, para impedir que os deputados da Assembleia Nacional possam ter acesso livre à sessão”.

O governo da Argentina disse que “impedir pela força o funcionamento da Assembleia Legislativa é condenar-se ao isolamento internacional” e qualificou a ação de “golpe parlamentar”.

O Brasil acusou Maduro de impedir “à força a votação legítima” no Parlamento da Venezuela, advertindo que não reconhecerá o resultado dessa “afronta à democracia”.

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