Lula pede permissão para deixar a prisão após morte do neto em São Paulo

Ricardo Stuckert / Instituto Lula

O ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu à Justiça para que ele deixe a prisão e possa comparecer ao funeral de seu neto de sete anos, que morreu no ABC paulista nesta sexta-feira.

Segundo a presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, o neto de Lula, Arthur Lula da Silva Araújo, morreu por causa de meningite no hospital Rede D’Or São Luiz em Santo André, na Grande São Paulo.

Arthur era filho de Marlene Araújo Lula da Silva e Sandro Luis Lula da Silva, filho da ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu em fevereiro de 2017, e do ex-presidente Lula.

“Faremos todo o possível para que você possa ver”, escreveu Hoffmann no Twitter.

O porta-voz de Lula, José Chrispiniano, informou à Agência Associated Press que não sabe onde ou quando o funeral de Arthur será realizado.

Não se sabe se o pedido de Lula será aceito, embora a maioria dos internos tenha permissão de acordo com as leis brasileiras. No entanto, em 29 de janeiro, Lula não recebeu permissão para assistir ao funeral de seu irmão Genival Inácio da Silva, em São Bernardo do Campo, também na região metropolitana de São Paulo.

Naquela ocasião, a juíza Carolina Lebbos decidiu perguntar à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba se Lula deveria poder viajar.

A PF disse na época que havia preocupações com a segurança se o ex-presidente deixasse a cidade de Curitiba para assistir às cerimônias em São Paulo, a 400 km de distância. Lebbos concordou.

O chefe da PF é o ex-juiz Sergio Moro, que sentenciou Lula à prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Moro é atualmente o ministro da Justiça do Brasil sob o governo do ex-capitão do Exército, Jair Bolsonaro.

Horas antes da decisão de Lebbos, defensores do ex-presidente apelaram para um juiz de escalão superior que também condenou Lula à prisão. O juiz Leandro Paulsen ratificou a sentença e proibiu Lula de sair.

Os advogados de Lula apelaram para a Suprema Corte do Brasil. O juiz responsável, ministro Dias Toffoli, emitiu outra decisão e permitiu que o ex-presidente se reunisse com seus parentes, mas Lula disse preferir não comparecer. O petista de 73 anos diz que ele é politicamente perseguido. Ele está preso desde o dia 7 de abril.

O que é a meningite meningocócica

Arthur Lula da Silva, de 7 anos, neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, morreu nesta sexta-feira vítima de meningite meningocócica.

O menino deu entrada no Hospital Bartira, em Santo André, às 7h20 desta sexta-feira com “quadro instável” e morreu às 12h11 “devido ao agravamento do quadro infeccioso”, segundo a assessoria da Rede D’Or São Luiz, da qual o hospital faz parte.

A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por diversos agentes infecciosos (bactérias, vírus ou fungos). A meningocócica é uma meningite bacteriana e, junto com a pneumocócica, é considerada uma das formas mais graves e preocupantes da doença.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2018, foram registradas 1.072 ocorrências de doença meningocócica no Brasil e 218 mortes. Em 2017, no mesmo período, foram 1.138 e 266, respectivamente.

Em relação à meningite pneumocócica, foram 1.030 ocorrências e 321 mortes em 2017, e 934 e 282 em 2018. As meningites causadas por outras bactérias somaram 2.687 notificações e 339 óbitos em 2017, e 2.568 e 316 em 2018.

No caso da viral, o governo registrou 7.924 casos e 107 mortes em 2017. No ano passado, foram 7.873 e 93. Já meningites com outras causas contabilizaram 796 ocorrências e 169 óbitos em 2017, e 624 e 122 em 2018.

O ministério disse que, no Brasil, “a meningite é considerada uma doença endêmica, deste modo, casos são esperados ao longo de todo o ano, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais”. O órgão complementou que a incidência da meningite bacteriana é mais comum no período outono-inverno, e da viral, na primavera e no verão.

O diagnóstico das meningites é feito por meio de exames de sangue e líquido cerebroespinhal (líquor). São eles que determinarão o tipo da doença e, com isso, a conduta que será adotada pelos médicos.

No caso das bacterianas, o tratamento é feito com antibióticos, associados ou não a corticóides, de 7 a 14 dias. A internação normalmente é necessária. Nas virais, dependendo do agente, é preciso ministrar antivirais e corticóides por uma semana. Em geral, as pessoas são internadas e monitoradas quanto aos sinais de maior gravidade.

Por fim, nas meningites fúngicas, a prescrição é de antifúngicos por 4 a 12 semanas, também escolhidos com base no microorganismo identificado no corpo do paciente.

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