O mexicano Joaquín Guzmán, “El Chapo”, foi extraditado na noite dessa quinta-feira (19) pelo governo do México aos Estados Unidos. Ele era um dos mais poderosos traficantes do país e chefe do cartel de Sinaloa.
A notícia da deportação foi divulgada em um comunicado da Secretaria de Relações Exteriores do México. A extradição ocorreu na véspera da mudança de governo nos Estados Unidos.
Em janeiro de 2016, o traficante mexicano de 59 anos foi capturado seis meses depois de uma memorável fuga de uma prisão de segurança máxima através de um túnel.
Na tarde desta quinta, o governo do presidente Enrique Peña Nieto o entregou às autoridades dos Estados Unidos, onde é procurado por lavagem de dinheiro, associação criminosa e crimes contra a saúde pública, entre outros.
Tribunais do Texas e da Califórnia já haviam requerido a extradição ao governo de Enrique Peña Nieto. Nos Estados Unidos, ele é acusado de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Joaquin “El Chapo” Guzman ganhou destaque quando, em julho de 2015, fugiu do presídio Altiplano (de segurança máxima). Ele teria cavado um túnel de 1,5 metro de extensão para sair da cela.
Na época, a mídia mundial repercutiu o caso e, internamente, levantou-se a hipótese de que ele teria fugido com a conivência de policiais, uma vez que as câmeras de segurança registraram o momento da saída e sua ausência só foi percebida 18 minutos depois.
A fuga de El Chapo foi bastante negativa para o governo mexicano, com os rumores de que o traficante tinha ligações com pessoas do alto escalão governamental. Após a fuga, o presidente Peña Nieto pôs a captura do narcotraficante na lista de prioridades do país. Ele foi recapturado em janeiro de 2015. após uma denúncia.
Nos Estados Unidos, a imprensa repercute a ocasião da extradição – na véspera da posse de Donald Trump, mas ainda com o presidente Barack Obama à frente da Casa Branca.
O fato de ele ter sido enviado aos Estados Unidos poucas horas antes de Barack Obama deixar o poder e Donald Trump assumir a Presidência nesta sexta não passou despercebido.
“Não quiseram dar a vitória a Donald Trump. A extradição hoje era o primeiro momento legalmente possível e politicamente viável. Foi como dizer: sim, o extraditamos, mas a medalha não é sua, Trump”, disse à BBC o especialista em segurança Alejandro Hope.
Trump tem tomado medidas desfavoráveis aos mexicanos. O presidente eleito disse que a construção do muro que pretende fazer para separar a fronteira deverá ser paga pelo governo mexicano.
Além disso, Trump trabalha com empresas multinacionais da área automotiva para que abandonem planos de expansão na região, sob ameaça de sobretaxar os carros produzidos fora do território norte-americano.
// BBC / Agência Brasil