Milhares de mulheres em protesto na América Latina contra a violência de gênero

Bárbara Leiva / Notas.org.ar

Protesto em Buenos Aires, na Argentina, contra a violência machista

Protesto em Buenos Aires, na Argentina, contra a violência machista

Milhares de mulheres se manifestaram na quarta-feira (19) por toda a América Latina contra a violência de gênero, num protesto desencadeado pelo recente caso de Lucía Pérez, uma adolescente que foi estuprada e assassinada na Argentina.

Os protestos se registraram nas principais cidades da Argentina, Chile, Bolívia e México, além do Brasil.

Dezenas de milhares de mulheres marcharam na principal avenida da capital do Chile, a maioria das quais vestidas de preto, exibindo centenas de cartazes com mensagens como “pena de morte para assassinos e estupradores” ou “mulheres sobreviventes, sempre resistentes”, numa mobilização em que também participaram homens.

Segundo o Movimento pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos (Miles), a marcha na capital chilena terá contado com 80 mil participantes.

Idênticos protestos se realizaram em outros países da América Latina, mas com uma dimensão mais reduzida, como na Bolívia, onde aproximadamente 500 pessoas também percorreram as ruas da capital, La Paz, repudiando a violência machista e pedindo justiça para as vítimas de assassínios.

A Bolívia é o país latino-americano com índices de violência machista mais elevados e o segundo, depois do Haiti, em violência sexual, segundo dados do programa ONU Mulheres.

O Brasil também foi palco de manifestações similares.

Em São Paulo, a maior cidade da América do Sul, cerca de 80 mulheres saíram para as ruas para se manifestar contra a violência de gênero e para demonstrar a sua solidariedade após o caso de uma jovem de 16 anos que foi drogada, estuprada e assassinada na Argentina, no passado dia 8, o qual foi, aliás, o gatilho dos protestos que atravessaram a América Latina.

“Esse ato acontece em solidariedade às mulheres que estão em luta na Argentina denunciando o aumento da violência e do feminicídio. Ele surge após o assassinato de uma jovem de 16 anos que foi drogada, estuprada e empalada e morreu por conta dessa violência. Estamos nas ruas, no Brasil, porque a gente sabe que a nossa realidade não é diferente. Também somos assassinadas, estupradas e violentadas todos os dias“, disse Marcela Azevedo, do movimento Mulheres em Luta.

Bárbara Leiva / Notas.org.ar

Protesto em Buenos Aires, na Argentina, contra a violência machista

Protesto em Buenos Aires, na Argentina, contra a violência machista

1.678 feminicídios em 2014

Segundo o Observatório da Igualdade de Gênero da América Latina e do Caribe da Comissão Econômica da América Latina e Caribe (Cepal), pelo menos 1.678 foram assassinadas por razões de gênero na região em 2014.

Vinte países da América Latina e do Caribe contam atualmente com leis sobre violência contra as mulheres, mas apenas oito consignam recursos específicos em seu orçamento nacional.

Para as participantes do protesto em São Paulo, um dos passos para o fim da violência contra a mulher é a educação e a adoção de políticas públicas de combate a esse crime.

A ativista de direitos humanos argentina Josefina Cicconetti, que vive no Brasil há quatro anos, considera importante dar nomes às vítimas para que os casos não sejam tratados apenas como estatísticas.

“Como são vários casos de violência contra a mulher, esse caso seria mais um caso, mas ela tem um nome, é Lucía. Esse caso é atroz, inacreditável. Foi muita maldade, muita crueldade”, lamenta.

Segundo a ativista, a violência contra a mulher no Brasil e na Argentina são muito semelhantes: “São países que estão muito próximos um do outro e vivem uma situação em comum, que é o machismo. O machismo existe na América do Sul inteira e no mundo inteiro“.

Para Josefina, a educação é a grande política contra a violência contra a mulher. “A educação é primordial. E os exemplos que nós damos. Se partirmos de uma piada ou de uma cantada na rua, não se pode dizer ‘tudo bem’ e fazer de conta que não é nada. É com as microações e a micropolítica que fazemos a revolução“.

AF, ZAP / ABr

COMPARTILHAR

DEIXE UM COMENTÁRIO:

Antártida: geleira está se tornando o cânion mais profundo do mundo e isso é péssimo

Recentemente cientistas anunciaram a descoberta de algo absolutamente desconhecido e sem precedentes: um cânion de gelo com 3,5 quilômetros abaixo do nível do mar, confirmado como nada menos que o ponto mais profundo da superfície …

OMC prevê cenário sombrio para o comércio global e Brasil será bastante atingido

Sob o impacto da pandemia do novo coronavírus, a Organização Mundial de Comércio (OMC) prevê um cenário sombrio para o comércio global este ano. A expectativa é de uma queda vertiginosa que pode chegar …

COVID-19 deve ter pico no Brasil em abril e maio, dizem Mandetta e especialistas

A previsão de disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2) no país não é nada animadora para os próximos meses. Isso porque ainda estamos em uma fase intermediária da infecção, que deve ter seus momentos de pico em …

Esse novo tratamento alivia a depressão em 90% dos pacientes

De acordo com uma nova pesquisa americana, um tratamento com estimulação magnética transcraniana pode ser muito eficaz para pessoas com depressão severa: em um experimento, foi capaz de aliviar os sintomas em 90% dos pacientes. Normalmente, …

Israel: ministro que definiu Covid-19 como ‘castigo divino a gays’ está com coronavírus

Aos 71 anos, Yaakov Litzman, ministro da Saúde de Israel e também líder do partido ultra-ortodoxo “Judaísmo Unido da Torá”, testou positivo para Covid-19. O diagnóstico foi divulgado nesta terça-feira (7) pela imprensa local e chamou …

Saúde de Boris Johnson preocupa britânicos, mas governo garante que premiê passa bem

O Reino Unido acompanha com preocupação a degradação do estado de saúde do primeiro-ministro Boris Johnson, que anunciou publicamente ter sido contaminado pelo novo coronavírus há dez dias. Depois de ser hospitalizado no domingo (5), …

Cortes na ciência comprometem resposta à covid-19 no Brasil

A fila de 16 mil testes para covid-19 no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, expõe a vulnerabilidade de um país que escolheu não investir em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) nos últimos anos. A …

Organismo marinho de 47 metros de comprimento descoberto na Austrália

Pesquisadores conseguiram captar imagens de vídeo fascinantes de um organismo "de outro mundo" nas águas ao largo da costa ocidental da Austrália. Segundo comunica a Newsweek, uma equipe a bordo do RV Falkor, o principal navio …

Detectadas pela 1º vez estrelas binárias capazes de produzir ondas gravitacionais

Astrônomos do Centro de Astrofísica de Harvard & Smithsonian detectaram pela primeira vez anãs brancas compostas por duas estrelas binárias. As anãs brancas compostas por duas estrelas binárias possuem um núcleo orbital capaz de gerar uma …

Epidemia do coronavírus ainda não chegou ao pico e se agrava na França, diz ministro

O pico da epidemia do novo coronavírus ainda não foi atingido na França, disse nesta terça-feira (7) o ministro da Saúde, Olivier Véran. Devido ao número significativo de pacientes que ainda são hospitalizados diariamente …