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Xherdan Shaqiri comemora o segundo gol da Suiça contra a Sérvia
As consequências do duelo entre a Suíça e a Sérvia (2 a 1) vão muito além da vitória dos suíços. A Fifa abriu no sábado (23) dois processos disciplinares: o primeiro contra os jogadores suíços por gestos políticos em campo; e o segundo contra declarações polêmicas do técnico da Sérvia.
Os jogadores suíços visados pela Fifa são Granit Xhaka, nascido na Suíça, mas de origem kosovar, e Xherdan Shaqiri, nascido em Kosovo e naturalizado suíço. Eles comemoraram os gols da vitória na sexta-feira (22), imitando com as duas mãos a águia da bandeira albanesa.
O Kosovo é uma ex-província sérvia de maioria albanesa e o gesto dos jogadores, interpretado pelos sérvios como um símbolo da “Grande Albânia”, foi considerado uma provocação.
O Kosovo declarou em 2008 sua independência, mas Belgrado ainda se nega a reconhecê-la. A “Grande Albânia” é uma referência a uma doutrina nacionalista que visa reunir todos os albaneses dos Balcãs em um único país.
A Fifa proíbe mensagens políticas em seus estádios e por isso abriu o processo disciplinar. O resultado, imprevisível, será anunciado nesta segunda-feira (25). Mas a Associação Suíça de Futebol não está preocupada.
O presidente da ASF, Peter Gilliéron, acredita que, se houver sanções, elas não serão pesadas. “A suspensão deles seria excessiva”, afirma Gilliéron, que lembra que os torcedores sérvios também provocaram a seleção suíça desde o início da partida.
Os dois jogadores também foram defendidos pelos ministros do Esporte, Guy Parmelin, e das Relações Exteriores, Ignazio Cassis. Todos dizem em entrevistas à imprensa do país que Xhaka e Shaqiri têm orgulho de defender a Suíça e entendem os gestos de comemoração dos jogadores que, emocionados “não esquecem suas raízes”.
Declarações polêmicas do técnico da Sérvia
A Fifa também abriu um processo preliminar contra o técnico da Sérvia, Mladen Krstajic, por suas declarações após a partida. Ele pediu que o árbitro, o alemão Félix Brych, fosse levado a julgamento em um tribunal de crimes de guerra em Haia por não ter concedido um pênalti à Sérvia.
“Em Haia, eles poderão julgá-lo como fizeram conosco” disse o técnico em um referência ao Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, que julgou os crimes de guerra sérvios a partir de 1991.
O técnico ficou furioso porque Brych não deu um pênalti aos 66 minutos, depois que Aleksandar Mitrovic foi derrubado na área pelos zagueiros suíços Stephan Lichtsteiner e Fabian Schaer.
Também foram abertos procedimentos disciplinares contra a Associação de Futebol Sérvia por distúrbios por parte dos torcedores e a exibição de mensagens políticas e ofensivas.
A Sérvia é a próxima adversária do Brasil, no dia 27 de junho.
Ciberia // RFI