Lucas Uebel / Grêmio FBPA

A FIFA está sendo pressionada para banir o gesto do sinal da cruz dos jogos de futebol. Um clérigo muçulmano, com grande influência no mundo árabe, assume publicamente a discórdia com o gesto, que é associado à religião católica.
Mohammed Alarefe, conceituado líder muçulmano saudita, deixou em seu perfil no Twitter, onde tem milhares de seguidores, uma pergunta – que é na realidade uma forma de alertar a FIFA para a importância de não ferir a sensibilidade dos adeptos árabes.
“Vi videos de atletas, de jogadores de futebol correndo, em disparada, e quando ganham, fazem o símbolo da cruz em seus peitos, e a minha pergunta é se as regras da FIFA não o proíbem”, escreve Alarefe, segunda a tradução do Daily Mail.
A pergunta pode ser vista como uma forma de pressionar a FIFA, em uma época em que o futebol mundial depende fortemente do dinheiro investido por bilionários do Oriente Médio.
Vários grandes clubes europeus são propriedade de xeiques árabes, como são os casos do Manchester City, que foi comprado por Mansour bin Zayed Al Nahyan dos Emirados Árabes e membro da família real de Abu Dhabi, e do Paris-Saint Germain, que é posse de Nasser Al-Khelaifi do Qatar.
Além disso, vários outros emblemas têm patrocinadores do Oriente Médio, como o Real Madrid, que tem como primeiro parceiro comercial a Emirates, companhia aérea de Dubai. Em Portugal, a empresa assinou em 2015 um patrocínio milionário com o Benfica, no qual os encarnados recebem da transportadora 8 a 10 milhões de euros por temporada.
Recentemente, o clube de Cristiano Ronaldo anunciou que vai retirar a tradicional cruz cristã do emblema das camisas vendidas em alguns países do Oriente Médio
(dr) ZAP

O logotipo da camisa do Real Madrid à venda nos países árabes deixou de ter a cruz cristã no topo
A decisão foi tomada no âmbito de um acordo comercial com uma marca dos Emirados Árabes, que vai fabricar, distribuir e vender equipamentos oficiais do clube espanhol no país, na Arábia Saudita, no Qatar, no Kuwait, no Bahrein e em Omã, todas nações maioritariamente muçulmanas.
Mohammed Alarefe, que além de líder religioso também é professor de Religião na Universidade Rei Saud, em Riade, na Arábia Saudita, com sua enorme influência no país e em todo o mundo árabe, acaba de lançar a “semente da pressão” sobre a FIFA, visando banir símbolos religiosos cristãos do futebol.
Só falta saber o que pensa Alarefe dos sinais religiosos muçulmanos que são feitos por alguns jogadores. Por exemplo, quando se ajoelham para agradecer um gol, fazendo os típicos gestos da oração islâmica.
// ZAP
Vai! Se cedermos, quais serão as próximas “sugestões”? Os muçulmanos não se satisfazem nunca? Eu sou evangélico. Não adoto o sinal da cruz, que é um gesto inútil, como também o são os gestos religiosos muçulmanos. Mas daí partir para proibir? Esse é o mundo com que eles sonham: esperar pelas delícias do paraíso machista e, enquanto isso, colocar o pé no pescoço dos “infiéis”.