“Não comemorei ou me orgulhei de ter banido Trump do Twitter”, diz Jack Dorsey

Kevin Lamarque / Reuters

Donald Trump

Em uma série de tuítes, Jack Dorsey, cofundador e CEO do Twitter, defendeu o banimento de Donald Trump da rede social na última sexta-feira (8). Segundo o executivo, essa foi a medida certa para a plataforma que, no entanto, “falhou em promover uma conversa saudável”.

Disse Dorsey:

“Não comemoro ou sinto orgulho por termos que banir @realDonaldTrump do Twitter, ou como chegamos aqui. Após um aviso claro de que tomaríamos essa ação, tomamos uma decisão com as melhores informações que tínhamos com base nas ameaças à segurança física dentro e fora do Twitter. Isso foi correto?

Acredito que essa foi a decisão certa para o Twitter. Enfrentamos uma circunstância extraordinária e insustentável, que nos obrigou a focar todas as nossas ações na segurança pública. Os danos offline resultantes da fala online são comprovadamente reais e o que impulsiona nossa política e aplicação acima de tudo.

Dito isso, ter que banir uma conta tem ramificações reais e significativas. Embora existam exceções claras e óbvias, acho que um banimento é uma falha nossa em promover uma conversa saudável. E um momento para refletirmos sobre nossas operações e o ambiente ao nosso redor.

Ter que realizar essas ações fragmenta a conversa pública. Banimentos nos dividem. Eles limitam o potencial de esclarecimento, redenção e aprendizado. E abre um precedente que considero perigoso: o poder que um indivíduo ou empresa tem sobre uma parte das conversas públicas globais.

A verificação e a responsabilidade sobre esse poder sempre foi o fato de que um serviço como o Twitter é uma pequena parte da grande conversa pública que acontece na Internet. Se as pessoas não concordarem com nossas regras e aplicação, elas podem simplesmente procurar outro serviço de Internet.”

Autocrítica

Ainda em sua linha de tuítes, Dorsey afirmou que a sua decisão de banir Trump foi seguida por outras empresas, quando vários outros players fundamentais da internet também decidiram não hospedar ou divulgar o que eles consideraram perigoso. Ele disse ainda que não foi um movimento coordenado e que essas companhias tiraram suas próprias conclusões ou foram encorajadas pelas ações de outros.

O executivo disse ainda que esse é o momento de tanto o Twitter, como outras empresas de social media, examinarem criticamente as inconsistências de suas políticas e aplicações [de banimento]. “Precisamos ver como nosso serviço pode incentivar distrações e danos. Precisamos de mais transparência em nossas operações de moderação. Tudo isso não pode destruir uma Internet global livre e aberta”.

Ele disse ainda que o momento atual pode ter exigido essa dinâmica (de banimento), mas, a longo prazo, atos assim serão destrutivos para “o nobre propósito e os ideais de uma internet aberta”. E que “uma empresa que toma a decisão de se moderar é diferente de um governo que remove o acesso, mas a sensação é a mesma”,

BlueSky e uma social media descentralizada

Ainda em sua thread, Dorsey defendeu um projeto de padrão descentralizado de mídia social, que leva o nome de BlueSky e no qual ele já havia falado em dezembro de 2019.

Estamos tentando fazer a nossa parte, financiando uma iniciativa em torno de um padrão aberto descentralizado para a mídia social. Nosso objetivo é ser um cliente desse padrão para a camada de conversação pública da Internet. Nós chamamos isso @bluesky

Para explicar melhor o que ele deseja com o BlueSky, Dorsey usou o Bitcoin como exemplo. “A razão pela qual tenho tanta paixão pelo Bitcoin é, em grande parte, devido ao modelo que ele traz: uma tecnologia de internet fundamental, que não é controlada ou influenciada por um único indivíduo ou entidade. Isso é o que a internet quer ser e, com o tempo, será.

No entanto, o CEO afirma que o projeto ainda está na fase inicial e que ainda levará um bom tempo para que ele seja construído. Ele disse que o Twitter ainda está na fase de entrevistar e contratar pessoas, procurando começar do zero ou contribuir com algo que já existe. “Não importa a direção final, faremos esse trabalho com total transparência pública”

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